Bento Teixeira

Poeta português, Bento Teixeira Pinto nasceu por volta de 1561, no Porto, Portugal.
Filho de cristãos-novos, partiu, em 1567, para o Espírito Santo, no Brasil, onde frequentou o colégio de jesuítas. Em 1576, foi para o Rio de Janeiro, onde continuou os seus estudos com os padres da Companhia de Jesus, terminando-os em 1579, em Salvador da Baía. Em 1583, Bento Teixeira casou com Filipa Raposa, uma cristã-velha, em Ilhéus. Entre 1584 e 1588, manteve uma escola em Olinda, financiada pela Câmara Municipal. Em 1588 regressou a Ilhéus, onde exerceu o as funções de professor, advogado e de comerciante. Entre 1588 e 1599, foi acusado de prática religiosa judaica, proibida pelo Tribunal da Santa Inquisição. Foi absolvido, em 1589, no auto de fé pelo ouvidor da Vara Eclesiástica Diogo do Couto. Em dezembro de 1894, matou a esposa por adultério e refugiou-se no Mosteiro de S. Bento, em Olinda, sendo aí capturado a 20 de agosto de 1595 e repatriado, chegando a Lisboa em 1596. Interrogado pela Inquisição, Bento Teixeira negou qualquer prática de judaísmo, vindo depois a confessá-la. Perante o auto de fé de 1599, abjurou o judaísmo, recebeu doutrinação católica e obteve liberdade condicional.
Publicou em 1601, em Lisboa, Prosopopéia, poema épico laudatório a Jorge de Albuquerque Coelho (3.º donatário da capitania de Pernambuco), obra que marcou o início do movimento Barroco no Brasil. Escrito em oitavas, com 94 estrofes, o poema manifesta a influência de Luís de Camões e de Virgílio e revela o ambiente da Colónia, através das descrições da natureza pernambucana.
Doente, Bento Teixeira faleceu em Lisboa, provavelmente em 1618.
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