Bossacucanova

Banda brasileira fundada em 1996 no Rio de Janeiro, os Bossacucanova começaram como uma mera brincadeira de amigos. Marcelinho da Lua, Márcio Menescal e Alexandre Moreira eram engenheiros de som da Albatroz e, num dia de pesquisa pelo extenso catálogo de bossa nova da editora, o trio decidiu fazer uma remistura de "Só Danço Samba", de Os Cariocas. O produto final da brincadeira acabaria por agradar bastante aos três, especialmente o surpreendente nexo entre as texturas clássicas da bossa nova e a eletrónica. De canção em canção, a tríade foi juntando material suficiente para a edição de um longa-duração, coisa que aconteceria em 1997. O título não colheu grande entusiasmo na época, passando quase despercebido no sempre congestionado meio discográfico brasileiro. Apenas no ano seguinte, por ocasião de uma viagem a Nova Iorque do músico carioca Marcelo D2, com o intuito de remisturar o seu álbum a solo, os Bossacucanova teriam um empurrão decisivo. Nessa viagem, Marcelo levou o disco gravado antes pelo trio e deu-o a escutar aos produtores americanos que estavam a trabalhar no seu álbum. A reação muito positiva destes foi a semente da popularidade do trio na América. Tanto assim que, em 1999, foram convidados para uma pequena digressão na América do Norte e o disco mereceria distribuição americana e europeia. A boa aceitação ao álbum, depois da promoção internacional, viria a empurrar o segundo disco para outra expressão comercial, catapultando o grupo para uma expressão mediática que não tivera antes na sua terra-mãe. Aos poucos, também os brasileiros se rendiam à roupagem eletrónica posta na bossa nova. Nesse trabalho, não passou indiferente o notável auxílio de Roberto Menescal, voz autorizada da bossa nova, cuja voz profunda e aptidões na guitarra enchiam a feição moderna dos Bossacucanova. Além de alguns trechos originais, co-autorados por Menescal, estavam presentes no alinhamento do disco clássicos, casos de "O Barquinho" ou "Bye Bye, Brasil". Ed Motta e Cris Delano também assinavam os créditos. O registo viria a ser nomeado para o Grammy latino, na categoria de Álbum Pop Contemporâneo Brasileiro.

Cimentando a sua posição como remisturadores de elite e reformadores da bossa nova, voltando-a para a modernidade, os Bossacucanova insistiriam na mesma fórmula no terceiro tomo do seu percurso. Com uma coluna de ajudantes da melhor estirpe, contendo nomes consagrados como o repetente Menescal, Chris Delano, os Zuco 103, Marcos Valle, o Trio Mocotó, Adriana Calcanhoto e Celso Fonseca, o álbum tornar-se-ia rapidamente no melhor desempenho comercial do grupo, provando a adesão definitiva do público brasileiro a uma nova forma de moldar a bossa nova.

Discografia 1997, Revisited Classics
2001, Brasilidade
2004, Uma Batida Diferente

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