Carlos Ferreira

Poeta e jornalista angolano, Carlos Sérgio Monteiro Ferreira, o Cassé, caluanda de origem, nasceu em 1960, em Angola.
Amante do jornalismo, escreve crónicas para alguns jornais angolanos e é redator da Rádio Nacional de Angola onde é responsável e realizador de programas importantes.
Mantendo uma grande ligação com a música, Carlos Ferreira é autor de reconhecidas letras para canções, faceta que lhe deu grande prestígio. Membro da União de Escritores Angolanos (UEA), foi cofundador da Brigada Jovem de Literatura de Luanda (BJLL).
Ganhou, em 1996, uma Menção Honrosa no concurso literário "Camarada Presidente", promovido pelo INALD (Instituto Nacional do Livro e do Disco), com um trabalho de adaptação poética da 3.ª Sinfonia de Beethoven, a "Heroica".
Despertou para a atividade literária com apenas 21 anos, publicando, em 1981, o seu livro Ponto de Partida.
Colaborador de alguns jornais de distribuição nacional, Carlos Ferreira assina artigos e crónicas de relevo indiscutível, sendo também redator da Rádio Nacional de Angola.
Nascido no limiar da década de 60, o autor é, então, filho da geração da guerra colonial, convivendo com ideais e referentes revolucionários e nacionalistas que apontavam para o fim da opressão, para a independência como primeiro patamar para a resolução da fome e da miséria e para a instauração da liberdade e dos direitos fundamentais do homem. Assim, Carlos Ferreira encontra na sua adolescência, fase da vida em que o sonho se constituiu um como um elemento fundamental da condição humana, o grande momento da criação da Nação Angolana.
Contudo, quando o autor começa a publicar os seus primeiros livros, alguns anos depois da declaração da Independência, é nítida a presença de um "sujeito poético" dececionado e triste que se sente incapaz de transpor o abismo criado pelas barreiras da frustração. Na verdade, fazendo parte da "Geração das Incertezas", de acordo com Luís Kandjimbo, a lírica de Carlos Ferreira é caracterizada por uma profunda melancolia e angústia , fruto da desilusão provocada pela nova Angola Independente que, na sua opinião, não tem resolvido os problemas fundamentais do povo angolano. Tendo o Mar como leit-motiv recorrente, este surge como uma metáfora que se constrói, ao contrário da poesia revolucionária dos anos 60 e 70, como o espaço da insatisfação do sujeito poético.
É autor de uma obra poética reconhecida e os seus textos figuram na Antologia de Lopito Feijóo No Caminho Doloroso das Coisas. Antologia de Jovens Poetas Angolanos, de 1988,
Poeta prestigiado nos meios literários, escreveu os seguintes títulos: Ponto de Partida (1981), Projeto Comum (1982), Projeto Comum II (1983), O Homem nos Quatro Andamentos (Adaptação poética da Terceira Sinfonia de Beethoven) (1985), Sabor a Sal. Crónicas de Dias Cinzentos (1986), Começar de Novo (1988), Voz à Solta (1991), Marginal (1994), Namoro o Mar (1996), Ressaca (2000) e Quase Exílio (2003).
Sobre este último, diz Irene Guerra Marques, no prefácio, que sendo um "canto de revolta, sofrimento e amor, fecha um ciclo que teve início com a publicação da obra "Projeto Comum", em 1982.".
Como referenciar: Carlos Ferreira in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-06-26 00:55:00]. Disponível na Internet: