carro elétrico

O carro elétrico surgiu em 1879, em Berlim, na Alemanha, numa altura em que se tornou necessário substituir o sistema de carruagens com tração animal. Depois terem sido experimentadas várias formas de tração, como o vapor e o ar comprimido, foi Erner Von Siemens, ao desenvolver o dínamo, que lançou definitivamente a tração elétrica. A energia era gerada num ponto fixo e distribuída por um cabo suspenso ou pelos carris.

Em 1881, a empresa Siemens & Halske fundou em Berlim o primeiro serviço público de elétricos, alimentados através dos carris por uma corrente de 180 volts. Em 1884, Frankfurt inaugura a sua rede. É nesta cidade alemã que funciona hoje em dia o mais antigo sistema de elétrico no Mundo.
Portugal não demorou muito a seguir o exemplo e, a 12 de setembro de 1895, o Porto tornou-se na primeira cidade da Península Ibérica a dispor deste sistema. O primeiro carro ligou Massarelos e o Carmo. Só a 31 de agosto de 1901 é que Lisboa, no meio de alguma contestação, segue o exemplo do Porto. Os lisboetas não só temiam os cabos espalhados pela cidade, como não gostavam de ver os postes nos passeios. Mesmo assim , a carreira inaugural, entre o Cais do Sodré e Algés, foi um sucesso, para o que contribuiu o preço do bilhete: vinte réis, menos dez do que numa viagem em carruagem com tração animal.

A iniciativa do Porto e Lisboa é imitada por Sintra (1903), Coimbra (1911) e Braga (1914). Em Sintra ainda subsiste um pequeno troço de características turísticas, mas Braga, desde 1963, e Coimbra, desde 1980, já não veem circular elétricos. Em Lisboa, houve um grande declínio nos anos 50 devido ao aparecimento do metro.

Entretanto, tinha-se verificado que os carris eletrificados não eram o método mais seguro e, em 1906, surge o cabo elétrico que ainda hoje está em uso. O elétrico foi-se desenvolvendo, principalmente ao longo do primeiro quartel do século XX. Na Europa, surgiram carruagens de dois andares ou atreladas. Nos Estados Unidos da América, a opção recaiu em carruagens maiores. Sendo um meio de transporte barato e fiável, deu uma ajuda ao desenvolvimento económico e ao crescimento dos subúrbios e, um pouco por todo o Mundo, as grandes cidades aderiram ao elétrico.

No entanto, a popularidade dos automóveis e a fiabilidade dos novos autocarros, aliada à Depressão de 1929 nos Estados Unidos da América, que se repercutiu na Europa, levaram a um declínio dos carros elétricos. Contudo, resistiram à crise, graças a novos modelos criados na América, dos quais ainda há composições a circular e que chegaram à Europa depois do final da Segunda Guerra Mundial. Este conflito, por um lado, levou ao fim do elétrico em países como a Inglaterra e a França, mas, por outro, proporcionou a reconstrução das linhas na Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Alemanha e Europa de Leste.

O elétrico teve um período de menor fulgor na década de sessenta, já que nesta época os automóveis se assumiam como principal meio de transporte, mas o excesso de carros nas cidades acabou por levar a um renascimento do elétrico, com a Alemanha Federal a assumir o estatuto de líder.

O elétrico continuava a ser um meio de transporte muito popular na Europa de Leste, já que o poder de compra não permitia ao comum dos cidadãos a aquisição de um automóvel. Esta situação levou a que a União Soviética se tornasse o maior operador do Mundo. Entretanto, tanto a Europa como os Estados Unidos da América verificaram que os transportes públicos eram uma excelente arma contra o trânsito e a poluição, e o elétrico foi beneficiado com isso. Surgiram composições mais rápidas e confortáveis, que representam variantes ao conceito original de elétrico e se chegam a confundir com o próprio metro de superfície.

O elétrico voltou assim a ser de novo um transporte público a ter em conta, em paragens tão distintas como França, Estados Unidos da América, China, Malásia e Austrália, que para os Jogos Olímpicos de Sydney apostou neste meio em particular.

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