Charles Le Brun

Pintor, decorador e teórico francês nascido a 24 de fevereiro de 1619, em Paris, França.

Filho de um escultor que lhe ensinou a profissão, Charles Le Brun cedo revelou vocação para a pintura, começando aos treze anos a trabalhar no atelier do pintor François Perrier. Nessa altura, o talento do jovem chamou a atenção do Chanceler Pierre Séguier que o tomou para sua guarda.

Em 1633, graças ao seu protetor, o artista foi trabalhar para o atelier de Simon Vouet, que teve também entre os seus discípulos futuras grandes personalidades das artes, André Le Nôtre, Pierre Mignard e Eustache Le Sueur. Completou a sua formação numa estadia no Palácio de Fontainebleau onde estudou as coleções de arte reais.

Reconhecido pelo seu grande talento e com o apoio financeiro do seu protetor, Le Brun partiu para Roma, em 1642, a fim de estudar os grandes escultores e pintores italianos e de conhecer os grandes artistas europeus da época, como foi o caso de Nicolas Poussin que veio a ser seu mestre.

De regresso a Paris, em 1646, recebeu várias encomendas, como a do superintendente Fouquet para quem realizou as esculturas dos jardins e as tapeçarias do seu soberbo palácio em Vaux-le-Vicomte ou a da Corporação dos Ourives que lhe encomendou o quadro O Martírio de S. André (1647) para a Catedral Notre-Dame, em Paris. A pedido do Cardeal Mazarino, Le Brun e André Le Nôtre ficaram responsáveis pela transformação do Pavilhão de Caça de Luís III no Palácio de Versalhes.

Em 1660, foi nomeado Primeiro Pintor Real, tornou-se diretor, em 1663, da Manufatura Real dos Gobelins (famosas tapeçarias francesas) e da Mobília Real e chanceler vitalício da Academia Real de Pintura e Escultura, que tinha fundado, em 1648, juntamente com outros onze pintores. Fundou ainda, em 1666, a Academia de França, em Roma, com o objetivo de formar e estimular o talento de jovens pintores e escultores. Depois, ocupou-se exclusivamente da decoração da nova residência real, o Palácio de Versalhes.

Realizou trabalhos de decoração e pintura na Escada dos Embaixadores, na Galeria dos Espelhos, nas salas da Paz e da Guerra e nos grandes apartamentos reais, constantemente inspirado na mitologia e na arte italiana e honrando sempre o Rei Sol - Luís XIV. Le Brun foi ainda o criador da Art Officiel, uma arte colocada ao serviço do poder e das grandes instituições.

Em 1683, com a morte de Jean-Baptiste Colbert, um dos protetores do artista, Le Brun foi substituído, nas suas funções de superintendente dos edifícios, das artes e das manufaturas, por Pierre Mignard, protegido do Marquês de Louvois. Em resultado desta substituição, o artista passou a produzir apenas quadros de temáticas religiosas e a ocupar-se do Palácio de Montmorency.

Como teórico, escreveu o tratado A Expressão das Paixões (1663), no qual analisou os diferentes estilos e géneros de pinturas, e Método para Aprender a Desenhar as Paixões (1698, edição póstuma), no qual descodificou, apoiando-se nas teorias de Nicolas Poussin, a expressão visual das paixões na pintura.

Quanto aos seus trabalhos, destacam-se ainda, para além dos acima mencionados, a decoração pictural da Galeria de Apolo (1663), no Louvre, e os quadros O Retrato Equestre do Chanceler Séguier (1655-1657), Alexandre e Porus (1673) e Adoração dos Pastores (1690), entre muitos outros. Charles Le Brun faleceu a 12 de fevereiro de 1690, em Paris.


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