Cheng Ho

Viajante chinês da Idade Média, nasceu em 1371, na China, na província de Yunan, no sudoeste, com o nome de Ma Ho, vindo a falecer no século XV, em data incerta (1433 ou 1435). O pai de Ma Ho era muçulmano, e fizera, tanto quanto se sabe, uma peregrinação até Meca. Quando tinha dez anos de idade foi capturado e feito cativo durante muito tempo, com outras crianças, pelo exército chinês que tinha invadido Yunan, para controlar toda a região. Com treze anos foi castrado, juntamente com outros prisioneiros, e começou a servir na corte do Imperador Chinês.
Foi um excelente servidor do príncipe imperial Zhu Di. Voltou-se para as artes da guerra e para a diplomacia. Foi o príncipe que alterou o seu nome para Cheng Ho, porque o seu cavalo tinha morrido numa batalha em Zhenglunba.
Em 1403, um ano depois da subida de Zhu Di ao trono imperial, o novo imperador incumbira-o de acompanhar a construção de uma armada imperial e com ela navegar pelos mares da China.
A primeira viagem (1405-1407), com 62 navios (a Armada do Tesouro), tinha como destino Calcute, na costa do Malabar, na Índia, no mar Arábico. Pararam as embarcações no Vietname, em Java e em Malaca, atingindo por fim Calcute. Quando a armada regressava para a China foram atacados e feitos reféns durante meses em Sumatra. A segunda viagem (1407-1409) teve também como destino a Índia, mas não correu muito bem e pouco se sabe dela, apenas que o rei de Ceilão se terá mostrado agressivo com os marinheiros chineses. A terceira viagem (1409-1411), com 49 navios e 30 000, homens teve ainda como destino a Índia e Ceilão. Derrotou pelo caminho o rei desta ilha, fazendo-o seu prisioneiro e trazendo-o para Nanquim. A quarta viagem (1413-1415), com 63 navios e 28 560 marinheiros, tinha como destino o Golfo Pérsico, célebre na China por aí existir, dizia-se, uma vasta riqueza em pedras preciosas. Atingiu no retorno a costa oriental africana, tocando em Moçambique, onde passou o verão de 1415. A quinta viagem de Cheng Ho (1417-1419), seguiu o mesmo percurso da anterior. Depois, nova viagem, a sexta (1421-1422), com paragens na Insulíndia e depois rumando até ao mar Arábico e ao Golfo Pérsico. A África era então tida na China como um Eldorado de riquezas. Uma boa parte da frota demorou a regressar à China.
Entretanto, em 1424, morria o imperador Zhu Di, o grande impulsionador das viagens de Cheng Ho e da sua Armada dos Tesouros. Sucedeu-lhe Zhu Gaozhi, que parou com as viagens e suspendeu a construção naval. Cheng Ho foi remetido para o posto de comandante militar de Nanquim. Entretanto, o imperador morreu em 1426. Em 1430, o seu sucessor retoma as atividades da Armada de Cheng Ho. Interessado em retomar relações cordiais com Sião (Tailândia) e Malaca, envia Cheng Ho (sétima e última viagem, 1431-1433) à frente de mais de 100 navios para o Sudeste Asiático. Uns dizem que terá morrido no regresso em 1433, outros defendem a data de 1435, já então em terra firme chinesa.
Uma das suas viagens, presume-se, talvez na sétima, terá atingido a Austrália, mas não existem provas de tal feito, embora na tradição oral dos Aborígenes australianos se aluda a artefactos idênticos aos que então circulavam no Império do Meio. Pouco depois da sua morte, os europeus, com os Portugueses na vanguarda, começavam já a sonhar com o Oriente, nas águas que a esquadra de Cheng Ho tinha sulcado já na primeira metade de Quatrocentos.
Como referenciar: Porto Editora – Cheng Ho na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-11-29 06:48:29]. Disponível em