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História do cinema

Os princípios técnicos do cinema são simples: por um lado, uma série de imagens é fixada numa película fotossensível; por outro, essas imagens são projetadas por um feixe de luz sobre uma superfície plana, a tal velocidade de sucessão que as figuras parecem estar a movimentar-se em contínuo.
Este efeito baseia-se no facto de o olho reter as imagens durante uma certa porção de tempo após o desaparecimento da coisa vista.
A técnica do cinema surgiu no século XIX, em parte associada ao desenvolvimento da fotografia. Assim, inventores como Louis Daguerre, Coleman Sellers e Étienne Marey podem-lhe ser associados.
Contudo, foram os franceses Louis e Auguste Lumière que deram o passo fundamental, com a invenção do cinematógrafo, dado a conhecer ao público em 1895.

O cinema depressa adquiriu popularidade na Europa e na América do Norte, como fonte de entretenimento, veículo ideológico e documentário.
O introdutor da nova técnica no nosso país foi Aurélio da Paz dos Reis, logo no ano a seguir à inauguração dos irmãos Lumière.

Ao longo do tempo, os desenvolvimentos técnicos sucederam-se e levaram a grandes modificações dos estilos predominantes.
A possibilidade de sincronização da imagem com o som teve consequências aos mais diversos níveis, desde logo no trabalho dos atores. Na verdade, muitas das estrelas do cinema mudo foram incapazes de se adaptar e viram as suas carreiras terminadas com o advento do sonoro.
O filme que marcou esta viragem foi The Jazz Singer (O Cantor de Jazz, 1927).

A introdução da cor e de formatos mais largos, depois, e o desenvolvimento dos efeitos especiais, mais tarde ainda, foram outros progressos que acarretaram mudanças radicais na estética das produções.

Por outro lado, os géneros foram-se definindo: tornaram-se reconhecíveis diferentes tradições cinematográficas, com características e convenções mais ou menos estáveis, como é o caso das comédias amorosas, dos filmes de guerra, dos westerns, dos filmes de espionagem, dos policiais e histórias de tribunal, da ficção científica, da animação, dos musicais, etc.

Ao mesmo tempo, ainda, surgem as escolas ou correntes (como o Expressionismo e o Neorrealismo, que ligam o cinema aos movimentos de outras artes) e estabelecem-se perfis nacionais para as produções (há um estilo americano, um britânico, um indiano, etc., bem distintos dentro de certos géneros).
Pela sua ampla difusão internacional e social (é igualmente apreciado por pessoas de todas as classes), o cinema é considerado pelos estudiosos como um dos componentes distintivos da cultura do nosso tempo. Na verdade, não apenas algumas das suas figuras são conhecidas de várias gerações, em vários países e grupos sociais, como também muitas das ideias-feitas sobre o heroísmo, a justiça, a investigação policial, certas épocas e personalidades históricas, certos sentimentos, etc., decorrem de obras cinematográficas ou são por elas transmitidas às massas.

A importância do cinema é tanto mais significativa quanto ele marcou indelevelmente a programação televisiva, quer porque os filmes são também transmitidos na televisão, quer porque esta adotou, na sua produção própria, muitos elementos dos vários géneros cinematográficos.

Como forma de arte e grande indústria que é, o cinema dispõe de acontecimentos organizados para sua promoção, bem como de galardões que são atribuídos às obras e personalidades de maior mérito. Entre os primeiros destacam-se o Festival de Cannes, o Festival de Veneza ou, entre nós, o Fantasporto.
Quanto a prémios, os mais famosos são os Óscares, atribuídos anualmente desde 1927.

mudo vs sonoro

O cinema não foi sempre sonoro. Na verdade, os primeiros filmes não tinham som e eram acompanhados nos cinemas por músicos que tocavam ao vivo.

Poucas pessoas sabem que os filmes mudos que hoje podemos ver na televisão com uma velocidade mais rápida que o normal não eram vistos assim no tempo em que eram passados nos cinemas, onde nessa altura tinham uma velocidade perfeitamente normal. Ou seja, os filmes mudos passavam nas câmaras a uma velocidade de dezasseis fotogramas por segundo e os atores e a vida, em geral, passavam no ecrã a uma velocidade normal.
Com a introdução do sonoro, a velocidade dos filmes aumentou para 24 fotogramas por segundo e os filmes mudos, ao passarem nas máquinas projectoras de som síncrono, eram obrigadas a ter uma velocidade cinquenta por cento mais rápida.
O resultado é aquela correria desajeitada que nos faz sorrir mas que, para muitos de nós, está indubitavelmente ligada ao cinema mudo, já que nunca o vimos de outra forma.

A introdução do sonoro veio não só trazer uma nova dimensão à Sétima Arte mas também revolucionar completamente os bastidores do cinema.
Onde antes assistentes e técnicos podiam falar à vontade e também os atores tinham uma grande liberdade de ação em termos de movimentação física e não tinham que decorar diálogos porque estes eram escritos no filme, agora o silêncio tinha de imperar em toda a equipa, os atores tinham de falar para microfones escondidos (por exemplo, em vasos), limitando-lhes o movimento e tinham de decorar os diálogos.

O novo elemento da equipa, o técnico de som, tornou-se no início o ditador de novas regras incómodas, que foram desaparecendo à medida que esta nova técnica evoluiu e passou a libertar a equipa e o próprio realizador, que, em termos criativos, podia explorar as novas possibilidades dos diálogos, os efeitos sonoros e a música.
A partir de então, a música não esteve mais dependente do improviso dos músicos que tocavam nos cinemas locais.

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