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Valter Hugo Mãe

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História do cinema
Os princípios técnicos do cinema são simples: por um lado, uma série de imagens é fixada numa película fotossensível; por outro, essas imagens são projetadas por um feixe de luz sobre uma superfície plana, a tal velocidade de sucessão que as figuras parecem estar a movimentar-se em contínuo.
Este efeito baseia-se no facto de o olho reter as imagens durante uma certa porção de tempo após o desaparecimento da coisa vista.

A técnica do cinema surgiu no século XIX, em parte associada ao desenvolvimento da fotografia. Assim, inventores como Louis Daguerre, Coleman Sellers e Étienne Marey podem-lhe ser associados.
Contudo, foram os franceses Louis e Auguste Lumière que deram o passo fundamental, com a invenção do cinematógrafo, dado a conhecer ao público em 1895.
O cinema depressa adquiriu popularidade na Europa e na América do Norte, como fonte de entretenimento, veículo ideológico e documentário.
O introdutor da nova técnica no nosso país foi Aurélio da Paz dos Reis, logo no ano a seguir à inauguração dos irmãos Lumière.

O Óscar, a famosa estatueta dourada
Cartaz da 1.ª edição do Fantasporto (1981), considerado o melhor festival de cinema fantástico do Mundo
Louis Daguerre, um dos "pais" da fotografia moderna
Cinema São Jorge em Lisboa
Cinema "Condes" em Lisboa
Étienne Jules Marey, inventor da cronofotografia, uma técnica que precedeu a moderna cinematografia
Modelo de um estúdio cinematográfico
Pavilhão onde se realiza o festival de cinema de Cannes
Aurélio da Paz dos Reis, o "pai" do cinema português
Louis e Auguste Lumière, os irmãos criadores do cinematógrafo
Ao longo do tempo, os desenvolvimentos técnicos sucederam-se e levaram a grandes modificações dos estilos predominantes.
A possibilidade de sincronização da imagem com o som teve consequências aos mais diversos níveis, desde logo no trabalho dos atores. Na verdade, muitas das estrelas do cinema mudo foram incapazes de se adaptar e viram as suas carreiras terminadas com o advento do sonoro.
O filme que marcou esta viragem foi The Jazz Singer (O Cantor de Jazz, 1927).
A introdução da cor e de formatos mais largos, depois, e o desenvolvimento dos efeitos especiais, mais tarde ainda, foram outros progressos que acarretaram mudanças radicais na estética das produções.

Por outro lado, os géneros foram-se definindo: tornaram-se reconhecíveis diferentes tradições cinematográficas, com características e convenções mais ou menos estáveis, como é o caso das comédias amorosas, dos filmes de guerra, dos westerns, dos filmes de espionagem, dos policiais e histórias de tribunal, da ficção científica, da animação, dos musicais, etc.
Ao mesmo tempo, ainda, surgem as escolas ou correntes (como o Expressionismo e o Neorrealismo, que ligam o cinema aos movimentos de outras artes) e estabelecem-se perfis nacionais para as produções (há um estilo americano, um britânico, um indiano, etc., bem distintos dentro de certos géneros).

Pela sua ampla difusão internacional e social (é igualmente apreciado por pessoas de todas as classes), o cinema é considerado pelos estudiosos como um dos componentes distintivos da cultura do nosso tempo. Na verdade, não apenas algumas das suas figuras são conhecidas de várias gerações, em vários países e grupos sociais, como também muitas das ideias-feitas sobre o heroísmo, a justiça, a investigação policial, certas épocas e personalidades históricas, certos sentimentos, etc., decorrem de obras cinematográficas ou são por elas transmitidas às massas.
A importância do cinema é tanto mais significativa quanto ele marcou indelevelmente a programação televisiva, quer porque os filmes são também transmitidos na televisão, quer porque esta adotou, na sua produção própria, muitos elementos dos vários géneros cinematográficos.
Como forma de arte e grande indústria que é, o cinema dispõe de acontecimentos organizados para sua promoção, bem como de galardões que são atribuídos às obras e personalidades de maior mérito. Entre os primeiros destacam-se o Festival de Cannes, o Festival de Veneza ou, entre nós, o Fantasporto.
Quanto a prémios, os mais famosos são os Óscares, atribuídos anualmente desde 1927.
 

mudo vs sonoro
O cinema não foi sempre sonoro. Na verdade, os primeiros filmes não tinham som e eram acompanhados nos cinemas por músicos que tocavam ao vivo.
Poucas pessoas sabem que os filmes mudos que hoje podemos ver na televisão com uma velocidade mais rápida que o normal não eram vistos assim no tempo em que eram passados nos cinemas, onde nessa altura tinham uma velocidade perfeitamente normal. Ou seja, os filmes mudos passavam nas câmaras a uma velocidade de dezasseis fotogramas por segundo e os atores e a vida, em geral, passavam no ecrã a uma velocidade normal.

Com a introdução do sonoro, a velocidade dos filmes aumentou para 24 fotogramas por segundo e os filmes mudos, ao passarem nas máquinas projectoras de som síncrono, eram obrigadas a ter uma velocidade cinquenta por cento mais rápida.

O resultado é aquela correria desajeitada que nos faz sorrir mas que, para muitos de nós, está indubitavelmente ligada ao cinema mudo, já que nunca o vimos de outra forma.
A introdução do sonoro veio não só trazer uma nova dimensão à Sétima Arte mas também revolucionar completamente os bastidores do cinema.
Onde antes assistentes e técnicos podiam falar à vontade e também os atores tinham uma grande liberdade de ação em termos de movimentação física e não tinham que decorar diálogos porque estes eram escritos no filme, agora o silêncio tinha de imperar em toda a equipa, os atores tinham de falar para microfones escondidos (por exemplo, em vasos), limitando-lhes o movimento e tinham de decorar os diálogos.

O novo elemento da equipa, o técnico de som, tornou-se no início o ditador de novas regras incómodas, que foram desaparecendo à medida que esta nova técnica evoluiu e passou a libertar a equipa e o próprio realizador, que, em termos criativos, podia explorar as novas possibilidades dos diálogos, os efeitos sonoros e a música.
A partir de então, a música não esteve mais dependente do improviso dos músicos que tocavam nos cinemas locais.

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Como referenciar
Porto Editora – cinema na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2024-05-18 23:26:50]. Disponível em
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