Cirenaica

A antiga Cirenaica, cognominada por vezes de "Atenas de África" e com o nome atual de Shahhat, situava-se na região oriental da Líbia, tendo sido a cidade de Cirene a mais importante desta região. Esta cidade tornou-se um centro cultural e económico da Antiguidade, contando com termas, três teatros e um grande ginásio.
A colonização da Cirenaica, zona antes chamada Aziris, resultou da migração de povos helénicos, como os colonos provenientes da ilha de Tera (Santorini) no século VII a. C. para a pequena ilha de Platea (Bomba), estabelecendo-se em seguida ao longo da costa. A estes migrantes juntaram-se outros, que saíram de Creta e do Peloponeso cerca de cinquenta anos depois dos primeiros colonos. Cirene teve como chefe fundador Aristóteles Batos, que deu origem à dinastia real Batíada, em vigor até à República romana e com membros que chegaram a casar com faraós. Foi grande a resistência dos nativos a esta nova cultura, e a presença dos Cartagineses a Oeste e dos Egípcios a Este fez com que a cidade não se desenvolvesse a partir dos pontos limítrofes. Os nativos chegaram a pedir ajuda ao faraó Apries cerca do ano 570 a. C. para lutar contra os colonos de Cirene, mas a recusa de Apries fez com que não se chegasse ao confronto bélico. Por volta desta altura a Cirenaica debateu-se com os mesmos problemas sociais e políticos que assolavam a Grécia, mas a dinastia Batíada continuou a ocupar o trono.
A Cirenaica foi conquistada por Alexandre, o Grande, e depois anexada ao Egito ptolemaico no ano 323 d. C. por Ptolemeu I Soter, apesar das contínuas revoltas contra o país dominador. À época da anexação este reino continha cinco cidades principais ou pentápolis: Cirene, Tauchira, Euesperides, Apolónia e Barca. Os principais proventos advinham da produção e comércio de azeite, centeio e uma planta aromática chamada sílfio. Em 96 a. C. foi incorporada no Império Romano, fazendo parte da província com o mesmo nome a partir de 67 a. C., à qual também pertencia Creta, circunscrição que se manteria até à reforma administrativa romana de 300, pelo imperador Diocleciano. Desde 67 que era a sede da 3.ª Legião, dita Cyrenaica.
Na Cirenaica, onde além dos deuses do panteão grego se venerava Zeus sob a invocação de Ammon, nasceram figuras tão relevantes como Teodoro, geómetra, o poeta Calímaco e o geógrafo Eratóstenes.
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