Código de Hattusili III

Desde o surgimento do Egito como potência regional que as tensões se manifestavam de forma mais ou menos permanente. Com o governo do monarca hitita Supiluliuma (c. 1380 a. C.) a ascensão do país é notória, convertendo-se num sério rival à hegemonia egípcia.
O primeiro grande embate militar direto entre ambos os países aponta para o reinado de Muwatalli (c. 1310-c. 1292 a. C.), constituindo uma prova de força contra o faraó Ramsés II, desejoso de recuperar as possessões sírias perdidas. Quando os egípcios tentam entrar pela zona sul da cidade de Kadesh (c. 1285 a.C.) são surpreendidos por uma força hitita que os repele, permitindo contudo a saída ilesa dos egípcios. O episódio confirmou o domínio Hitita sobre a Síria, permitindo igualmente o equilíbrio entre as duas potências. Após a morte de Muwatalli, e de um período de sete anos de conflito interno pela sucessão entre dois familiares do rei, o irmão Hattusili III inaugura um período de relações amistosas com o Egito, que culminam na elaboração do código e no casamento de uma princesa hitita com Ramsés II.
Conhecido como código, não é mais que um tratado de paz e equilíbrio regional entre duas forças tradicionalmente em conflito (c. 1271 a. C.).
O documento estabelecia "a paz e a boa fraternidade digna da grande realeza entre eles e para sempre", de modo a cessarem as hostilidades que "não agradam aos deuses". O tratado previa também as futuras relações entre ambos, a mútua renúncia à agressão, a aliança defensiva dos dois países, a sucessão ao trono, bem como uma cláusula referente à extradição de fugitivos, com um código legal próprio.
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