Coimbra


Aspetos geográficos
Cidade situada na margem direita do rio Mondego, na província tradicional da Beira Litoral, capital de distrito e sede de concelho. Famosa pela universidade, Coimbra é também um importante centro comercial e de serviços.

O concelho de Coimbra abrange uma área de 318,8 km2 e compreende 31 freguesias: Almalaguês, Almedina, Ameal, Antanhol, Antuzede, Arzila, Assafarge, Botão, Brasfemes, Castelo Viegas, Ceira, Cernache, Eiras, Lamarosa, Ribeira de Frades, Santa Clara, Santa Cruz, Santo António dos Olivais, São Bartolomeu, São João do Campo, São Martinho de Árvore, São Martinho do Bispo, São Paulo de Frades, São Silvestre, Sé Nova, Souselas, Taveiro, Torre de Vilela, Torres do Mondego, Trouxemil e Vil de Matos. Em 2011, o municipio apresentava 143 396 habitantes. O natural ou habitante de Coimbra denomina-se coimbrão, conimbricense ou conimbrigense.

O distrito de Coimbra está situado na província tradicional da Beira Litoral, incluindo também concelhos das províncias da Beira Alta (dois concelhos) e da Beira Baixa (um concelho). É banhado pelo oceano Atlântico a oeste, e está limitado pelos distritos de Aveiro e Viseu a norte; da Guarda a nordeste; de Castelo Branco a leste, e de Leiria a sul. Abrange uma área de 3972 km2 e é composto por 17 concelhos: Arganil, Cantanhede, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Figueira da Foz, Góis, Lousã, Mira, Miranda do Corvo, Montemor-o-Velho, Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra, Penacova, Penela, Soure, Tábua e Vila Nova de Poiares.

O relevo do distrito de Coimbra apresenta, na sua parte interior, serras elevadas e vales profundos, onde se encaixa a rede hidrográfica do Mondego, ao passo que na secção litoral do distrito predominam as terras mais planas, com destaque para a secção inferior da bacia do Mondego. Entre as principais serras do distrito, há a referir a serra do Açor (1417 m), onde se situa a altitude máxima do distrito, e as serras da Lousã, do Buçaco e da Boa Viagem.

Os rios mais importantes são o Mondego, o maior rio que nasce em Portugal, e os seus afluentes: na margem direita, o Dão; e, na margem esquerda, o Alva, o Ceira, o Arunca e o Pranto.

História e Monumentos

Inicialmente, Coimbra era um povoado pré-histórico situado numa colina defendida pelo vale do rio Mondego. No período romano chamava-se Aeminium, tornando-se numa cidade importante no centro do território lusitano, sendo o vestígio mais notório deste período o criptopórtico que se pode ver sob o atual Museu Nacional Machado de Castro. Aos Romanos sucederam os Suevos e os Visigodos. Nos séculos V e VI, sob o domínio visigótico, a cidade designava-se por Emínio, tendo conhecido um período de prosperidade. O bispo de Conímbriga veio viver para a Emínio, passando esta a ser a sede do bispado de Conímbriga e a assumir gradualmente o nome de Colimbriae - Coimbra.

Depois dos Visigodos vieram os Mouros e a cidade continuou a crescer. Coimbra foi reconquistada aos Mouros, em 1064, por Fernando, o Magno, sendo residência frequente dos reis da primeira dinastia. Recebeu o primeiro foral de Afonso VI, rei de Leão e Castela. O conde D. Henrique, que lhe concedeu novo foral em 1111, e a rainha D. Teresa estabeleceram aí a sua residência e foi lá que nasceu o primeiro rei de Portugal - D. Afonso Henriques. Outros reis nasceram nesta cidade: D. Sancho I, D. Afonso II, D. Sancho II, D. Afonso III, D. Afonso IV, D. Pedro I e D. Fernando. Nela se realizaram algumas das mais importantes cortes medievais, entre as quais as de 1385, onde João das Regras levou ao trono D. João I, Mestre de Avis. A cidade ficou também ligada à trágica morte de Inês de Castro.

Coimbra é o mais antigo centro cultural do país, primeiro com o Mosteiro de Santa Cruz e depois com a universidade, que o rei D. Dinis para lá transferiu em 1308 e que D. João III lá instalou definitivamente em 1537, implantando-a num palácio da Rua da Sofia. A universidade, com as suas dependências, os seus museus, os seus observatórios, o jardim botânico e o hospital, transmite à cidade a grandeza e o prestígio que a caracterizam.

O valor monumental e arquitetónico de Coimbra é excecional, sendo um dos centros mais frequentados por historiadores, arqueólogos e turistas, que regularmente a visitam. Destacam-se: a Sé Velha (ano 1160), de estilo românico, embora tenha sofrido restauros e acrescentos posteriores; a Sé Nova (finais do século XVI e inícios do século XVII), de estilo barroco; o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, cuja fundação se deve a D. Mor Dias, em 1286, característico da primeira fase do gótico; o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, de arte gótica, edificado na década de 60 do século XVIII; a Igreja de Santo António dos Olivais, onde sobressai o altar-mor de talha barroca, do século XVII; o Aqueduto de S. Sebastião, construído no século XVI, sobre as ruínas do aqueduto romano; o Arco de Almedina, pertencente à antiga muralha coimbrã; o Convento de Celas, fundado em 1213, de cuja traça inicial se mantém a igreja; o Palácio de Sub-Ripas (séc. XVI), de estilo manuelino; a Torre da Universidade (1728), o emblema da instituição, valorizado pelo seu estilo barroco; a Casa da Nau, edifício medieval, assim chamado porque possui o feitio de um navio; a Torre de Anto, que pertencia à antiga muralha, com quatro pisos; o Museu de Machado de Castro; as igrejas de S. Salvador (séc. XII) e S. Tiago (1064) e o Museu de História Natural (fundado em 1772, por iniciativa do Marquês de Pombal).

Na Capela-Mor de Santa Cruz, mandada edificar por D. Afonso Henriques e reedificar por D. Miguel, encontram-se os túmulos do rei fundador e de D. Sancho I. No Mosteiro de Santa Clara está sepultada a Rainha Santa Isabel. A Biblioteca Joanina da Universidade, com mais de um milhão de volumes, alguns manuscritos de raro valor e uma Bíblia hebraica do século XIII, considerada exemplar único no Mundo, é uma das mais valiosas bibliotecas europeias.

Fora da cidade de Coimbra, já no concelho de Condeixa-a-Nova, são de grande interesse turístico as ruínas romanas de Conímbriga.

Tradições, Lendas e Curiosidades

Coimbra tem o seu feriado municipal no dia 4 de julho, altura em que se celebram as Festas da Cidade (de 3 a 7 de julho) em honra da padroeira, a Rainha Santa Isabel, em todos os anos pares. Realiza-se a procissão noturna de penitência, em que a imagem da Rainha Santa sai do Convento de Santa Clara-a-Nova, num andor que viaja pelas ruas da cidade. À meia-noite em ponto, o andor, transportado por dezasseis homens da Irmandade da Rainha Santa, chega às portas da cidade (Largo da Portagem). As luzes públicas apagam-se e um padre previamente designado faz uma palestra, começando assim: «Rainha Santa, bem-vinda sejas à Cidade de Coimbra...». Seguidamente, são colocadas nas varandas colchas que, à passagem do andor, se abrem, deixando cair pétalas sobre a imagem, a lembrar o Milagre das Rosas. A imagem é levada, finalmente, para a Igreja da Graça, onde permanece até domingo. Nesse dia, às 15 horas, a Rainha Santa regressa ao convento, na chamada procissão maior, permanecendo aí por mais dois anos.

Do concelho de Coimbra fazem parte as seguintes festas: a Romaria do Espírito Santo, no domingo de Pentecostes e nos três dias seguintes, em Santo António dos Olivais; a Romaria da Senhora dos Milagres, na segunda-feira de Pascoela, em Cernache; a Romaria ao Senhor da Serra, na segunda quinzena de agosto, na freguesia de Semida; as Festas dos Santos Populares, em junho; a Romaria de Santo Amaro, no primeiro domingo de agosto, no lugar de Assafarge; e a Romaria da Senhora da Nazaré, a 15 de agosto, em Ribeira de Frades.

Nas restantes sedes de concelho são realizadas as seguintes festas: a Romaria da Nossa Senhora do Monte Alto, a 15 de agosto; a Feira do Paço, de 6 a 8 de setembro, e a Feira anual de Todos os Santos, a 1 de novembro, em Arganil; as festas dos Passos, no terceiro domingo da Quaresma, da Senhora das Dores e da Senhora do Amparo, em agosto, a da Senhora do Círculo, nos domingos de Pascoela e Ascensão, e de Santa Cristina, a 24 de julho, em Condeixa-a-Nova; as Festas da Cidade, que incluem a Festa a S. João, a 24 de junho, na Figueira da Foz, a Romaria de Santo António da Neve, a 13 de junho, e a festa de Nossa Senhora da Guia, a 23 de julho, em Góis; a Feira anual de S. João, a 24 de julho, na Lousã; as Festas de S. Tomé, a 25 de julho, em Mira; a Romaria da Senhora da Piedade de Tábuas, no domingo imediato a 7 de setembro, e a Festa dos Passos, na Quaresma, em Miranda do Corvo; a Feira de S. Brás, a 3 de fevereiro, em Oliveira do Hospital; a Festa de Nossa Senhora de Pranto, a 15 de agosto, em Pampilhosa da Serra; a Romaria da Senhora do Monte Alto, a 8 de setembro, em Penacova; a Feira de S. Miguel, a 29 de setembro, e a Festa da Senhora da Nazaré, a 15 de agosto, em Penela; a Festa e Feira de S. Mateus, em setembro, em Soure.

Na cidade de Coimbra realizam-se as seguintes feiras: a feira de Velharias, no quarto sábado de cada mês; a dos Lázaros, em março, no Largo D. Dinis, contendo uma faceta humanitária; a do Espírito Santo, em maio, e a Medieval, em meados de junho, no Largo da Sé Velha, que procura recriar uma feira dessa época.

Na madrugada do dia dos festejos de S. João, no concelho da Figueira da Foz, faz parte da tradição tomar-se o "banho santo", que, segundo a crença, providencia a cura milagrosa de certas doenças.

A Universidade de Coimbra é a mais antiga do país, tendo-se criado à volta da vida universitária diversas tradições académicas. A mais conhecida é a Festa da Queima das Fitas, que começa na primeira quinta-feira de maio, com a tradicional serenata no Largo da Sé Velha. O estudante universitário usa o tradicional traje académico, composto por fato de calças e batina de fazenda preta, para os homens, e fato de saia e casaco igualmente de fazenda preta, para as mulheres. Uns e outros usam obrigatoriamente camisa branca com gravata preta, sapatos e meias da mesma cor. Por cima dos fatos usam uma capa de fazenda de lã preta, onde alguns cosem emblemas variados (da sua universidade, da cidade onde está instalada, do concelho de origem do portador da capa, etc.).

Nas festas universitárias ou noutras solenidades ligadas à vida académica canta-se o fado coimbrão. Normalmente, é cantado na escuridão, com grande solenidade e no meio de grande silêncio e nostalgia. O fado também faz parte das chamadas serenatas, quando à noite, à porta das residências das raparigas se fazem declarações de amor.

Para além do fado e dos trajes, as repúblicas fazem parte da tradição académica. São residenciais com determinadas características e normas impostas pelos estudantes que lá vivem em comunidade; todos os membros são responsáveis pela sua gestão. Esta tradição secular existe desde a época de D. Dinis, após diploma régio. Este rei fomentou a construção de residenciais, com o intuito de serem habitadas por estudantes, que pagariam uma renda, cujo montante era fixado por uma comissão nomeada pelo rei.

O castelo de Montemor-o-Velho está ligado a uma lenda, chamada a lenda das arcas de Montemor-o-Velho. No interior do castelo diz-se existirem duas arcas enormes sob a terra, enterradas por gente desconhecida, uma com riquezas e outra com a peste. Até hoje ainda não foram desenterradas, porque se alguém abrisse a arca errada, a da peste, espalharia a doença e a miséria.

Perto do Rabaçal, no concelho de Penela, existem dois montes cónicos, o Germanelo e o Jerumelo, cujos topos distam de cerca de dois quilómetros. Segundo uma lenda local, dois ferreiros gigantes, com os nomes dos montes, montaram as suas forjas, uma em cada monte. O problema é que só havia um martelo e quando um precisava do martelo gritava pelo outro, que o atirava imediatamente. Um dia, gerou-se uma zanga entre eles e Jerumelo, furioso, arremessou o martelo com tanta força que ainda no ar o cabo despegou-se do martelo; a parte de ferro caiu na encosta do monte de Germanelo, originando uma nascente de água férrea, enquanto que o cabo, de madeira de zambujo, onde caiu, transformou-se em árvore, daí resultando que a população onde este evento aconteceu se chame Zambujal. Dizem que é possível ver as ruínas da forja no monte de Germanelo.

Em 2003, Coimbra foi designada Capital Nacional da Cultura, o que lhe proporcionou a organização de diversos eventos culturais que dinamizaram a cidade.

Economia

A atividade económica do distrito centra-se no setor dos serviços e na indústria, em especial nas áreas urbanas. A agricultura e a exploração florestal continuam a desempenhar um papel importante nos concelhos de características mais rurais.

Entre as produções agrícolas, merecem realce o arroz, o milho, os produtos hortícolas, a fruta e o vinho. Dada a grande extensão das áreas florestais, a madeira constitui igualmente uma produção significativa. Na indústria, a celulose, o cimento, os produtos alimentares, os lanifícios e a cerâmica são os setores mais representativos.

No artesanato, considerado como atividade complementar em várias áreas do distrito, os produtos mais típicos são as colchas de trapos, os bordados, a latoaria, os barros pretos, as peças de cerâmica, a cestaria de vime, a canastraria, os palitos artísticos, as seiras e os capachos.

No setor terciário, o comércio, o turismo e os serviços, associados ao papel de centro universitário por parte da cidade de Coimbra, desempenham uma função cada vez mais relevante na economia da região. O desenvolvimento do distrito tem beneficiado da sua posição privilegiada na ligação entre as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.
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