Conto rústico

Chama-se conto rústico ao conto de temática rural, que decorre num cenário campesino e frequentemente ecoa os usos e costumes populares e regionais. No romantismo português, considera-se percursor do conto rústico Alexandre Herculano (1810-1877), em O Pároco da Aldeia (1844). Como cultores do conto rústico destacam-se Rodrigo Paganino (1835-1863), em Os Contos do Tio Joaquim (1861), Camilo Castelo Branco (1825-1890), particularmente em Noites de Insónia (1875), Júlio Dinis (1839-1871), em Serões na Província, e Júlio César Machado (1835-1890), em Contos ao Luar (1861) ou Cenas da Minha Terra (1862). Dos autores da segunda metade do século, ligados já à estética realista, salientam-se Alberto Pimentel (1849-1925), autor de Contos ao Correr da Pena (1869), Pedro Ivo, pseudónimo literário de Carlos Lopes (1842-1906), autor de Contos (1874) e Serões de inverno (1880), Teixeira de Queirós (1849-1919), autor da série Comédia do Campo (1876-1915) e de Arvoredos (1895), e Trindade Coelho (1861-1908), celebrizado pela coletânea Os Meus Amores (1891). A persistência do conto rural mesmo nos fins do século manifesta-se na obra dos naturalistas Abel Botelho (1855-1917), em Mulheres da Beira (1898), José Augusto Vieira (1856-1890), em Fototipias do Minho (1879), e Júlio Lourenço Pinto (1842-1907), em Esboços ao Natural (1882), entre outros.
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