Convento de Jesus (Aveiro)

O Convento de Jesus foi edificado em 1462 por D. Brites Leitoa, uma nobre aveirense que foi também a primeira madre prioresa, poucos meses após ter sido expedida a bula papal autorizando a criação desta casa dominicana.
Intimamente ligada ao Convento de Jesus de Aveiro está a figura da Princesa Santa Joana. Desde muito cedo sentiu a filha de D. Afonso V o chamamento para a vida em clausura. Em 1471 obteve licença do rei para ingressar no Mosteiro de Odivelas. Contudo, por impedimento das Cortes, só viria a concretizar a sua profissão de fé alguns anos mais tarde. Após uma breve estadia em Odivelas, a princesa veio para o Mosteiro de Jesus, governado pelas freiras dominicanas. Em 1481, o rei D. João II confiou-lhe a educação do seu filho legitimado, D. Jorge.
Ao entrar para o convento, a princesa Joana doou-lhe os seus bens, o que veio permitir um desanuviamento da economia conventual e ao mesmo tempo promover um maior auxílio aos mais necessitados. Estes, sentindo-se profundamente agradecidos, começaram a reverenciá-la como Santa Princesa, ficando D. Joana intimamente ligada à cidade de Aveiro e afirmando-se, igualmente, como padroeira deste bispado. A modesta casa das dominicanas viu o seu espólio aumentado e enriquecido com obras de arte, oferecidas, quer pelo pai, quer ainda pelo irmão da princesa.
Várias campanhas realizadas nos séculos seguintes modificaram decisivamente a volumetria quatrocentista do edifício. Transformado em Museu em 1925, o Convento de Jesus possui um riquíssimo acervo de obras de arte em ourivesaria, tecidos bordados, mobiliário, escultura e pintura.
A fachada principal do convento é do século XVIII e está dividida em dois pisos ritmados por diversas pilastras. O primeiro piso apresenta três portais de frontão curvo interrompido, alternados no piso superior por quatro janelas de sacada. Remata este conjunto um ressaltado entablamento dórico. Esta fachada, de cariz palaciano, prolonga-se num pórtico do século XVII de colunas da ordem compósita, erguidas sobre pedestais e marcadas no beiral do telhado por quatro pináculos.
A igreja é de nave única e encontra-se cobertura por abóbadas revestidas de pinturas seiscentistas. As paredes apresentam rodapés em azulejo e talhas barrocas douradas nas molduras das telas e retábulos e no órgão de meados do século XVIII, este já com característicos concheados rocaille. Numa das paredes da nave abre-se um portal manuelino de arco conopial, em pedra de Ançã, envolto por decoração fitomórfica, realizando a entrada para a capela de Santo Agostinho, onde se encontra o túmulo do 7o duque de Aveiro.
O brilhante revestimento de madeira dourada da capela-mor foi construído entre 1725 e 1729. Efetuado pelos entalhadores portuenses António Gomes e José Correia e pelo dourador Manuel Ferreira e Sousa, apresenta uma elegante e surpreendente composição de movimentadas linhas circulares e retas.
Os coros localizam-se ao fundo da nave. O coro alto é constituído pelo cadeiral do século XVII, apresentando elementos decorativos entalhados já do século seguinte. No coro baixo, remodelado nos finais do século XVII, princípios do século XVIII, encontra-se o surpreendente e esbelto túmulo da Princesa Santa Joana - obra barroca do estilo nacional e concebida num surpreendente jogo de policromos mármores embutidos.
O claustro quinhentista apresenta galeria térrea formada por colunas da ordem jónica e, no piso superior, colunelos dóricos. Ao centro do claustro encontra-se um chafariz com tanque quadrangular, obra do século XVII. No claustro rasgam-se diversos portais do gótico final dando acesso a várias capelas e a outras dependências, uma das quais ao esplêndido refeitório com a original tribuna de leitura e que se encontra completamente forrado a azulejos de padrão azul e branco, dos finais de Seiscentos e produzidos por oficina de Lisboa.
Outras das dependências conventuais dignas de realce é a sala do andar superior, transformada em capela, onde faleceu a Santa Princesa. Encontra-se revestida por pinturas parietais narrando a sua vida, emolduradas por talha dourada, que igualmente forra o lambrim e o teto da sala.
Do diverso e riquíssimo espólio deste museu conventual destacam-se várias esculturas em pedra, provenientes, fundamentalmente, de oficinas de Coimbra. Na escultura em barro, o destaque vai para uma sagrada familía, passível de ser atribuida à oficina do escultor Joaquim Machado de Castro. Na pintura são de salientar as telas dos séculos XV-XVI, onde aparece representada a princesa Santa Joana, o tríptico de S. Simão, a Senhora da Madressilva, S. João Evangelista, S. Domingos e S. Tiago Maior abençoando uma freira. Completam o espólio deste convento diversas peças de ourivesaria, tecidos bordados e mobiliário.
Como referenciar: Convento de Jesus (Aveiro) in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-08-25 12:06:46]. Disponível na Internet: