Convento de S. Dinis e S. Bernardo

O Convento de S. Dinis e S. Bernardo de Odivelas começou a ser construído a 27 de fevereiro de 1295, tendo sido concluído em 1305. A obra foi patrocinada por D. Dinis, com o intuito de albergar uma comunidade feminina da Ordem de Císter. O mosteiro cisterciense de Odivelas seria objeto de diversas remodelações posteriores que lhe apagaram parte do seu prospeto original. Ainda assim, a sua cabeceira e outras zonas deixam ver a linguagem do gótico trecentista, apesar das reformas manuelina, de D. João IV e de D. João V, para além dos estragos do terramoto de 1755 e subsequente remodelação setecentista.
Este mosteiro tornou-se famoso pelas razões erradas, já que uma das suas madre superioras foi Paula Teresa da Silva, uma das amantes do rei D. João V e mãe de um dos ilegítimos filhos do monarca, os conhecidos "Meninos de Palhavã".
Da edificação primitiva sobreviveram a porta ogival, a sua formosa cabeceira contrafortada e alguns prospetos do Claustro da Moura. O portal é um belo exemplo do gótico ogival trecentista com as suas arquivoltas repousando sobre colunas capitelizadas.
Tripartida, a cabeceira é composta por ábside e dois absidíolos, contrafortada e rasgada por janelões ogivais de dois lumes. Interiormente, a capela-mor e as colaterais são cobertas por abóbadas de ogiva com nervuras chanfradas, estando na Capela do Evangelho o soberbo túmulo de D. Dinis. Esta arca sepulcral terá sido feita no ano anterior à sua morte, em 1324. A arca tumular assenta em figuras de animais deitados, tendo a face trabalhada com gabletes trilobados abrigando esculturas sem cabeça. O jacente real repousa na tampa e deixa ver uma figura de serena dignidade. No lado da Epístola está um outro túmulo, também este do gótico trecentista, onde repousavam os restos mortais de D. Maria Afonso, filha de D. Dinis e de uma monja bernarda deste mosteiro.
O corpo da igreja foi reformado em 1757, após ter sido arruinado pelo terramoto de 1755. É um espaço amplo e unitário, coberto por imensa abóbada de berço e com as suas paredes ritmadas por arcos plenos sobre pilastras retangulares, alguns rasgados e com altares de talha dourada.
Das diversas dependências conventuais, o destaque vai para os seus dois claustros quinhentistas, para o espantoso refeitório e para as suas cozinhas.
O Claustro da Moura, assim designado pela escultura feminina que ostenta o fontenário seiscentista do pátio, é constituído por dois andares, abrindo-se as galerias do piso inferior com arcos abatidos chanfrados, inserindo-se em algumas das suas colunas capitéis góticos originais.
O Claustro Novo, também de construção do século XVI, é marcado por arcos ogivais e coberto por abóbadas de cruzaria, notando-se ainda silhar de azulejos polícromos do século XVII.
O espantoso refeitório conventual é coberto por um decorado e apainelado teto de masseira, contendo ainda bonitos silhares de azulejos setecentistas. Na cozinha das sobremesas, para além da sua monumental chaminé, pode-se admirar ainda o revestimento cerâmico setecentista, de figuras avulsas.
O Mosteiro de Odivelas dos Santos Dinis e Bernardo foi classificado Monumento Nacional (M.N.) em 1910 e integrado em 1962 numa Zona Especial de Proteção (Z.E.P.).
Como referenciar: Porto Editora – Convento de S. Dinis e S. Bernardo na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-10-26 12:48:47]. Disponível em