Democracia Popular

Designação pela qual ficaram conhecidos os regimes comunistas instalados a partir de 1948 nas repúblicas da Europa de Leste que foram libertadas pela URSS na Segunda Guerra Mundial, sob a batuta de Moscovo e abaluartadas na presença do Exército Vermelho. Estão na origem da Guerra Fria e foram também experimentadas em alguns países menos desenvolvidos.
Depois da Segunda Guerra Mundial e da vitória soviética na Europa de Leste, assistiu-se à formação de um conjunto de repúblicas na região - repúblicas da Europa Central e de Leste - que adotaram, logo em 1945, o regime político comunista "imposto" por Estaline, através da presença do Exército Vermelho. A sua implementação tornou-se irreversível e teve por base ideológica a doutrina Jdanov.
Com base nessa doutrina política, cada uma dessas repúblicas adotou o regime de "democracia popular", que tinha como principais características: - partido único
- coletivização da terra
- planificação económica centralizada
- prioridade às indústrias de base
- perseguição e eliminação de qualquer dissidência
Começava a definição do modelo e da área de influência soviética na Europa de Leste, ao mesmo tempo que esta, com a URSS, se prefigurava como um bloco político-militar antagónico ao Ocidente, sob influência dos EUA. Era o princípio da Guerra Fria. O clique da instalação das democracias populares deu-se em 1948, na chamada Revolta (ou Golpe) de Praga, na antiga Checoslováquia (hoje República Checa). Gottwald, líder comunista checoslovaco, ao serviço da URSS, com a bênção de Estaline, apelou a uma greve geral no país, recebendo o apoio de "milícias de trabalhadores", que atuariam como forças de bloqueio a qualquer resistência ou contra-golpe das forças democráticas checoslovacas. Com forte apoio de Moscovo, em poucos dias a democracia checoslovaca transformou-se numa "democracia popular" na órbita soviética. Apesar da reação do Ocidente, a instauração das "democracias populares" no Leste da Europa foi rápida, em poucos meses. Apenas a ex-Jugoslávia, então governada por Tito, um país que resistira com êxito aos Nazis graças à guerrilha comunista (mas com pouco apoio da URSS), não alinhara com a posição do Kremlin, assumindo uma independência face à URSS, principalmente na política externa. A rutura com Moscovo foi um duro revés na instauração das "democracias populares" a Leste, irritando Estaline, que endureceu as "purgas" políticas não apenas na URSS como nas repúblicas satélites. Depois viria a "crise de Berlim" e a divisão da Alemanha entre a influência do Ocidente e a de Moscovo, com a cidade de Berlim a ficar dividida entre os dois blocos. Estaline impõe o "bloqueio de Berlim", mas acabaria derrotado em 1949.
A Perestroika, iniciada por Gorbachov em 1985, marcaria a agonia das "democracias populares" tuteladas pela URSS, todas já em grave crise económica e com problemas sociais e políticos profundos, minados pela onda de simpatia e estímulo à ação desencadeados pelo o sindicato polaco Solidariedade e o seu líder Lech Walesa, a par da influência importante do papa João Paulo II (também ele oriundo da Polónia comunista). As "democracias populares" permaneceram, ainda que decrépitas, até 1991 na Europa de Leste, não sobrevivendo à "queda do muro de Berlim" e dos regimes comunistas. Mas outras experiências de democracias populares vigorariam noutros pontos do mundo, sob "exportação" e apoio dos soviéticos, desde o Vietname ao Iémen ou a algumas repúblicas africanas, como Angola.
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