Desenvolvimento Económico nas Colónias

No ano de 1958 o Estado português comunicou a implantação de um plano de seis anos, que se estenderia de 1959 a 1964 e pretendia o desenvolvimento nacional. Este plano tornou-se mais urgente quando, em 1961, estalou a guerrilha em Angola, situação que se verificou a partir de então em outros países africanos colonizados por Portugal. O governo salazarista procurou incentivar a capacidade produtiva do Pais e das colónias com o intuito de as preservar. Na prossecução deste mesmo objetivo, o estado português viu-se obrigado a pedir crédito externo em 1962, algo que efetuou com extrema relutância. Integrando as colónias económica e administrativamente por meio da trasladação de capital e de população emigrante, da criação da Área do Escudo, da liberalização do comércio e da aplicação de taxas mais favoráveis aos produtos exportados provenientes das províncias ultramarinas, as mencionadas dívidas externas foram saldadas com o resultado das importações africanas até 1964. Todas estas medidas tinham igualmente como objetivo a redução de custos da defesa e manutenção colonial, tornando os países mais autossuficientes. As guerras coloniais dos anos 60 e 70 não impediram que Moçambique e Angola se desenvolvessem economicamente, uma vez que se continuou a exploração de petróleo em Cabinda pela "Gulf Oil" e se colocou em prática um grande projeto de desenvolvimento rural com a construção da barragem hidroelétrica na região de Cahora Bassa, em Moçambique, para a distribuição de energia pela África do Sul, Moçambique e Rodésia. Esta barragem foi financiada por uma sociedade de capitais portugueses, franceses, sul-africanos, suecos e germânicos e visava também a criação de um mercado comum na África Austral. De igual forma, em África continuaram a construção de instalações médicas e educativas, particularmente em Maputo (antiga Lourenço Marques) e Luanda e injeção financeira nas secções de apoio social. Devem ainda mencionar-se os investimentos efetuados nestes territórios por empresas de nações estrangeiras, como a exploração de minério na região sul do Cassinga (tendo-se extraído a inédita quantidade de cerca de seis milhões e meio de toneladas de minério em 1973), economicamente suportada por capitais provenientes da Alemanha Ocidental, e a exploração de concessões diamantíferas por empresas americanas a partir de 1969. De facto, a exploração do mercado do café e dos bens que temos vindo a mencionar aumentou exponencialmente após o início da guerra e até ao ano de 1974, contrastando com o panorama economicamente pouco dinâmico da época anterior ao conflito.
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