Dídio Juliano

Imperador romano da dinastia dos Severos (?-193 d. C.), reinou durante dois meses em 193. O seu reinado foi tumultuoso e marcado por conflitos com os militares e tentativas de usurpar o poder. Oriundo de Milão (Mediolanumi), Marco Dídio Severo Juliano, nasceu o seio de uma família senatorial perto do fim do reinado de Adriano (que morre em 138). Foi Cônsul juntamente com Hélvio Pertinax, em 174 ou 175, e foi governador também de muitas províncias militares. Foi ainda acusado de ter participado numa conspiração contra Cómodo, em 182. Nos primeiros anos da década seguinte, era ainda, no entanto, governador de África. Depois do assassinato de Pertinax (28 de março de 193), em certa altura preparava-se para participar numa Assembleia do Senado, quando dois tribunos da Guarda Pretoriana o impediram de prosseguir, tendo-o logo de imediato conduzido à sua guarnição e obrigado a aceitar a coroa imperial.
Mas acabou por entrar em choque com Flávio Sulpiciano, que pretendia proclamar-se imperador. Nascia assim uma contenda entre os dois em torno do Império, tendo ambos oferecido generosos donativos aos Pretorianos de forma a terem o seu apoio na sua causa. Nesta "guerra" de sestércios (moeda romana) pelo imperium, triunfou Dídio Juliano, que chegou a oferecer 25 000 sestércios a cada pretoriano. Proclamado imperador, uma das suas primeiras iniciativas foi a de prometer reabilitar o nome de Cómodo. Dídio enfrentou também a oposição de Piscénio Níger, que foi aclamado no Oriente pelas suas tropas como Imperador, o que não teve porém grande ressonância em Roma e na subida de Dídio ao poder.
Todavia, Dídio apenas reinou durante...66 dias! Tão pouco tempo porque Sétimo Severo avançou então contra Roma, nesse ano de 193, forçando Juliano a defender a Cidade. Sétimo Severo, todavia, estava já a agir secretamente e na retaguarda do imperador, pois, através de mensageiros, tinha instigado e aliciado o Senado a depô-lo. Destituído do Império, Dídio Juliano acabou também condenado à morte pelo mesmo Senado. Um simples soldado terminou então com a sua vida, no palácio imperial, a 1 ou 2 de junho de 193.
Como referenciar: Porto Editora – Dídio Juliano na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-12-02 23:00:04]. Disponível em