diglossia

Situação linguística em que uma comunidade utiliza duas línguas distintas na mesma área geográfica, sendo que cada língua é frequentemente vocacionada para um uso concreto. Por exemplo, durante o período colonial, era frequente que a língua do país colonizador fosse utilizada com objetivos institucionais, como o ensino, a escrita, a legislação e a religião, enquanto que as línguas autóctones eram mantidas dentro dos circuitos familiares. A diglossia é visível ainda nos nossos dias, por exemplo em países de língua oficial portuguesa ex-coloniais, como Moçambique ou Timor, em que o português é a língua da educação, da governação, da ligação ao mundo ocidental, enquanto que as línguas nativas são mantidas vivas na esfera familiar e em circuitos informais.
Este conceito foi alargado à experiência linguística vivida pelo falante que domina duas variantes dialetais, ocorrendo o mesmo fenómeno de especialização de cada uma delas. Ou seja, a variante de prestígio é utilizada com fins institucionais e em situações formais, ao passo que a variedade da sua região é usada em contextos familiares. Por exemplo, um madeirense que habite em Lisboa tem tendência a adotar a variedade falada em Lisboa, apesar de retomar a sua variante sempre que contacte com madeirenses. Neste caso a diglossia é mais visível em questões fonéticas e prosódicas.
Como referenciar: diglossia in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-17 03:09:56]. Disponível na Internet: