Dos Etruscos ao Nascimento de Roma (1500 - 470 a. C.)

Os Etruscos foram os primeiros povos a impor o seu poder na maior parte da Península Itálica. Oriundos da rica região situada a sul do rio Arno, a norte do rio Tibre e a oeste dos Montes Apeninos, região esta que corresponde à atual Toscânia.
Por volta de 700 a. C., a civilização da primeira Idade do Ferro deu origem, na Toscânia, a uma civilização de tipo orientalizante, iniciando, deste modo, a sua aparição na península italiana.
Porém, as suas origens são complexas. A hipótese mais plausível é a de que os Etruscos chegaram vindos da Ásia ocidental, durante os períodos conturbados que se seguiram ao colapso dos impérios hitita e micénico e estabeleceram-se em Itália, onde se misturaram com a população nativa (vilanoviana), já estabelecida. Esta hipótese é a mais provável, na medida que a língua etrusca apresenta estreitas afinidades com as escritas orientais e porque existe uma série de características nas cerimónias religiosas etruscas que encontram o seu paralelismo no Oriente.
Assim, a civilização etrusca resulta de uma evolução mais geral e não de uma migração.
Por volta do século VIII a. C., estes habitantes da Toscânia agrupavam-se numa série de centros urbanos, construindo as suas cidades segundo um plano regular e aproveitando as características da topografia. No Norte, estas cidades viviam da agricultura e conheciam o trabalho do metal, explorando as jazidas de bronze e ferro que existiam na ilha de Elba e nas zonas mais próximas da Península Itálica. No Sul, outro grupo de cidades que também dependiam da agricultura, mas que participavam ativamente no comércio internacional, importavam grandes quantidades de vasos gregos e outros produtos artísticos e exportavam objetos de bronze, sendo de distinguir a sua cerâmica negra de grande qualidade.
Os Etruscos mostravam profundas semelhanças com a Grécia e com a sua cultura. O alfabeto etrusco, que chegou a ser a base do alfabeto latino, deriva do grego; a técnica etrusca da pintura dos vasos procede da grega; a maior parte das técnicas do trabalho do metal foram importadas da Grécia, etc.
Pode-se mesmo dizer que o contacto com a Grécia determinou as fases mais importantes da expansão etrusca.
Os Gregos tinham-se estabelecido no Sul de Itália, espacialmente na Campânia e na região à volta de Nápoles e Cumas. O "império" etrusco, no seu apogeu (séculos VII, VI e início do século V) estendia-se do rio Pó à Campânia.
A marinha dos etruscos era a grande rival da grega e cartaginesa, ocupando no século VI a. C. o Lácio e a Campânia e no século V a. C. a planície do rio Pó.
Roma surgiu, assim, a partir de um conjunto de aldeias que originaram uma cidade, no século VI a. C., apresentando um aspeto etrusco, já que foi influenciada pelos seus senhores, os quais, por volta de 510 a. C., foram expulsos pelos Romanos que estabeleceram uma república que foi alargando o seu poder, controlando, assim, uma pequena porção da Itália central.
A assimilação da religião e da cultura etruscas pelos romanos, a celebração de matrimónios mistos e a incorporação das técnicas etruscas (como a escrita) foram fatores essenciais que impulsionaram o desenvolvimento de Roma.
A partir de 550 a. C., o governo das cidades etruscas, entre elas Roma, estava nas mãos de uma série de magistrados eleitos anualmente.
As grandes famílias etruscas que se fixaram em Roma, contingente importante na expansão etrusca, e se integraram na população local constituíram uma parte desta classe governante e deram a Roma três reis, dos quais se salienta Tarquínio Prisco, Sérvio Túlio e Tarquínio, o Soberbo que reinaram desde c. 625 a. C. a 510 a. C.. Estes homens dedicaram os seus esforços não só a realizar grandes obras públicas, mas também a pôr em prática uma política externa expansionista. O futuro de Roma dependia do seu controlo sobre a planície do Lácio habitada por comunidades de base étnica semelhante, com algumas práticas religiosas iguais às dos primeiros romanos. A imigração etrusca em Roma deu um novo impulso ao movimento já iniciado no século VII a. C.. Sob o governo destes homens, Roma não só conquistou uma série de lugares estratégicos nas proximidades, como constituiu uma aliança com os povos latinos que foi comemorada com a fundação de um templo dedicado a Diana, na colina do Janículo em Roma, mandado erguer pelo rei Sérvio Túlio, por volta de 540 a. C..
O êxito de Roma foi devido, em grande parte, à sua posição geográfica, já que se encontrava situada longe do mar, escapando, assim, aos ataques dos piratas, e porque dominava o curso do Tibre, principal rio da Itália central. Assim, não só podia controlar as mercadorias e o tráfico que desde o Norte se dirigia para o Sul de Itália, como também o comércio ao longo do Tibre e dos caminhos que o rodeavam. Ao mesmo tempo, tinha um porto muito importante, Óstia, através do qual fazia o seu comércio com todo o Mediterrâneo. Porém, acontecimento menos importante na sua formação foi a incorporação dos etruscos que habitavam nas cidades e eram artesãos de grande qualidade. Roma ficava situada ao sul da Etrúria e a influência destes fez-se sentir no último quartel do século VII a. C..
Os etruscos eram grandes engenheiros e a eles é atribuída a drenagem da zona central de Roma, o Fórum. Este, que até agora era utilizado para enterramentos, foi pavimentado e lá se construíram os primeiros edifícios públicos, deixando Roma de ser um conjunto de aldeias para se converter numa cidade.
A transformação de Roma numa cidade centralizada com a subida ao poder dos reis etruscos, implicou transformações sociais importantes, como o aparecimento do infante armado, antepassado da legião romana.
Aos reis etruscos também se deve a instauração de um novo sistema na estrutura da sociedade, no qual os cidadãos eram classificados consoante a sua riqueza que os qualificava para as tarefas militares.
Assim, pertencer à classe dos militares não só se converteu num critério de cidadania como também conferiu direitos políticos. Criou-se, assim, uma nova assembleia que passou a ser o organismo fundamental para a discussão pública de temas de governo, para a aprovação de leis e para a eleição dos magistrados. Esta reforma é atribuída a Sérvio Túlio (578-535 a. C.).
Os etruscos não se impunham como dinastia reinante à população submetida. Depois do seu desaparecimento, os romanos conservaram determinadas tradições etruscas, como a religião. Esta substituiu a antiga religião primitiva dos romanos assente na tríade Marte, Júpiter e Quirino, adorados sem estátuas nos templos, por uma nova tríade Júpiter, Juno e Minerva, à qual foi dado um templo no Capitólio: o Templo de Júpiter Capitolino. Outras das introduções dos etruscos foram as práticas adivinhatórias para se assegurarem do conhecimento da vontade dos deuses.
Entre 650-550 a. C., Roma desenvolveu-se. Este período correspondeu ao apogeu da civilização etrusca. A prosperidade da cidade está patente nos edifícios, templos, casas, na qualidade dos produtos importados, e baseava-se na importância da economia agrícola e no seu controlo do comércio do Sul e na efémera expansão dos etruscos para sul.
Por volta de 510 a. C., Roma era já uma potência importante que controlava um amplo território, acabando por provocar a queda da monarquia etrusca, uma vez que os etruscos já sofriam dificuldades internas (um grande número de famílias poderosas sentiram-se lesadas ao serem excluídas do Senado e, portanto, dos privilégios que lhes assegurava a sua condição de patrícios) e externas, como as ameaças que começavam a sentir, principalmente no Sul pelas incursões dos povos das montanhas na planície costeira. Os etruscos, atacados por terra e por mar, foram obrigados a recuar para a Etrúria, por volta de 500 a. C., dando, assim, a possibilidade aos romanos, como força política mais poderosa, de assumir o destino de Roma, convertendo-o numa República.
Os etruscos receberam o seu golpe de misericórdia na Campânia, em 474 a. C., com a derrota naval na cidade grega de Cumas nas mãos dos Cartagineses, que os destruíram por completo.
No século IV a. C., em 390, os etruscos acabaram por perder a planície do Pó com a chegada dos celtas começando, desta forma, o seu rápido declínio até à altura que vão perder a sua independência, sob os golpes de Roma, no século II a. C., acabando por fazer parte das 11 regiões romanas estabelecidas por Augusto.
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