Duarte da Gama

Poeta palaciano e fidalgo da corte de D. João II, nascido no século XV, cujo trabalho poético se encontra coligido no Cancioneiro Geral que apresenta, entre outros textos, A Morte deste Cavalo, Aquesta real partida, As cousas daquesta vida, Dino é d'haver perdam e Levareis, Senhor, na mão. A produção poética de Duarte da Gama inclui a intervenção em certames coletivos de tema amoroso e jocoso, de iniciativa própria ou alheia, mas distingue-se, acima de tudo, por um conjunto de composições individuais de crítica social, num registo por vezes satírico. Assume, numa glosa a uma trova de D. João de Meneses, uma postura antiaventura expansionista, denunciando a ambição dos navegadores, porque "...quem vai de foz em fora, / nam vai por sua nobreza, / mas por ir contra proveza / e ancora / com amarras na riqueza.", denúncia, aliás, retomada numa carta a Diogo Brandão fundada sobre a oposição vida no campo / constrangimentos da vida na corte. Numa escala mais ampla, as "Trovas (...) aas desordeens que agora se / costumam em Portugal" confirmam esta afirmação individual de um eu oposto aos outros, colocado na charneira entre o passado e um presente minado pela ambição e pela futilidade, onde "Já ninguem nam quer usar / da nobreza dos passados..." e "S'algûu quer ser caçador / nom é senam de dinheiro."
Como referenciar: Duarte da Gama in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-12-08 11:16:07]. Disponível na Internet: