Egito: a Galeria de Deuses

A civilização egípcia pauta-se pelo politeísmo. O panteão é vastíssimo. Os deuses egípcios tomavam quase sempre a aparência de animal. Cada nomo (divisão territorial administrativa) cultuava uma divindade específica, acabando por originar a falta de uma hierarquização entre elas. A religiosidade egípcia entende-se também pela frequente assimilação de deuses estrangeiros. Desde as primeiras dinastias cultuava-se o deus celeste Hórus-falcão, deus de todas as coisas primitivamente cultuado no Delta e que encarnava no faraó. O Ka transmitia-se de geração em geração e dava ao faraó o estatuto de deus criador, de deus vivo. Após a sua morte, o Ka continuaria vivo no interior da pirâmide erigida para albergar a múmia. Durante a V dinastia, Rá tornou-se o pai original de todos os deuses e dos faraós. Assim, ao título de Hórus (Ka) juntou-se o de Rá, provocando o aparecimento de outra divindade Hórus-Rá. Fazem igualmente parte do panteão Schu, deus do ar; Nut, deusa do céu, representada como uma dama; Seth, principal divindade atmosférica, deus dos desertos, das tempestades e dos terramotos, assassino de Osíris e rival de Hórus; Osíris, deus da vegetação e do reino dos mortos; Ísis, sua esposa-irmã, era representada na forma de vaca (Osíris tornou-se pai de Hórus e é representado pelo faraó); Ámon, deus tebano, era também um deus atmosférico que a partir da XVIII dinastia assimilou Rá, apropriado pelo faraó; Thot era o deus da Lua e o patrono dos escribas que depois se iria associar a Shu; Hathor, deusa da vegetação, do amor e da guerra era a ama de leite do faraó e aparece sob a forma de uma vaca. As divindades funerárias são Emsete, com cabeça humana, Anúbis, com cabeça de chacal, Hapi, com cabeça de macaco, e Quebebrsneuef, com cabeça de falcão.
No período de Amarna, Akenaton baniu todos os deuses e Aton, o disco solar, passou a ser o deus único. Depois da morte deste faraó foi reabilitado o culto a Ámon-Rá.
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