Egito, Império Médio

O reinado de Mentuhotep ("Montu está satisfeito") I (Tepiá), iniciado em 2060 a. C. (ou 2040, segundo outros), com capital em Tebas, assume destaque neste período, pois foi com ele que se iniciou o Império Médio, que compreendeu as XI e XII dinastias. O reinado de quase cinquenta anos assentou num conjunto de reformas significativas, centralizadoras, com o intuito de reorganizar a administração, apoiando-se na nobreza provincial, mas sobretudo numa nova casta de tebanos por ele controlados. A estabilidade que gerou no seio da nação egípcia propiciou a expansão para o exterior, com o aumento da autoridade na zona da Baixa Núbia, que foi mesmo egipcianizada, e com o incremento dos contactos comerciais com a Síria e a Palestina. Durante o reinado de seu filho Nebhepetré Mentuhotep II os contactos chegam até ao oriente do Sudão e à Etiópia. Durante a XI dinastia, além de várias expedições militares, foram ainda construídas fortificações na frente do Sinai (terra de cobre e turquesas) e no leste do Delta do Nilo, de forma a evitar incursões de tribos nómadas na região, algo que nunca acontecera no Império Antigo.
A XII dinastia, resultante de um golpe palaciano, e o reinado de Amenemhat II prolongam os ideais anteriores, aumentando a produção cultural e a prosperidade, pertencendo-lhe provavelmente a decisão de transferir a corte mais para norte, para Iti-taui, situada entre Mênfis e Meidum, mais concretamente em Faium, região a oeste do Nilo, reforçando a centralidade geográfica do poder real.
O faraó Senuseret (Sesóstris) III reorganizou a administração, criando três departamentos governamentais responsáveis pelos distritos em que se dividia o território. Empreendeu ainda expedições militares à Ásia Menor (Turquia) e sobretudo à Núbia. Em termos económicos, o investimento realizado ao nível dos planos de irrigação, sobretudo pelos faraós da XII dinastia, trouxeram um aumento significativo da atividade agrícola, do comércio e inclusivamente da extração mineira. Ao nível militar é evidente o aumento das expedições militares e a implantação de feitorias, sobretudo na segunda cascata, com o intuito de fortalecer o domínio na zona da Baixa Núbia. Na área nordeste do território, o Egito assume um papel mais moderado, existindo referências a uma única expedição militar à Palestina e de alguns contactos diplomáticos com a Síria. O auge do Império Médio registou-se no reinado de Amenemhat III sucessor de Senuseret III, quando a obra de centralização da administração e o domínio do vasto corpo de funcionários egípcios estavam operacionais e efetivos, para além da conquista de terras agrícolas, da colonização da Núbia e da segurança nas fronteiras do Nordeste, estabelecendo-se relações com a Síria e Palestina, cruciais para a segurança egípcia.
Artisticamente, registe-se uma menor qualidade arquitetónica e estética na construção das pirâmides, agora em tijolo e não em pedra. Privilegiaram-se as grandes obras de carácter económico, revalorizando-se Faium, por exemplo, até então subaproveitada. Os templos continuaram a ser erigidos em grande escala, como o de Deir el-Bahari, erigido no reinado de Mentuhotep I, no começo da XI dinastia. A literatura e as artes decorativas foram também impulsionadas no Império Médio, época de paz e tranquilidade, de humanização do poder, como diria Luís Manuel de Araújo, egiptólogo português.
O Império Médio terminou c. 1780 a.C., tendo sido o seu último faraó conhecido Neferusobek, de que pouco se sabe.
Como referenciar: Egito, Império Médio in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-09-21 19:03:02]. Disponível na Internet: