Egito, Império Novo
O Império Novo é considerado hoje como uma continuidade, em certa medida, do Império Médio. Decorreu entre c. 1560 e 1070 a. C., correspondendo ao período entre a XVIII e a XX dinastia. Também irradiou de Tebas, iniciando-se sob o signo da recuperação da identidade egípcia perdida durante o Segundo Período Intermédio (ou Período dos Hicsos, povo que invadiu o Delta). É também conhecido como Segundo Império Tebano (o primeiro foi o Império Médio). O Império Novo celebrou também o Egito como, talvez, a maior potência política, militar e económica da segunda metade do II Milénio a. C.
O domínio egípcio estendeu-se a leste até ao Eufrates, com avanços e recuos, e a sul até à quinta catarata do Nilo, no reinado de Tutmés I, com uma forte presença na região Síria, na Palestina e na Mesopotâmia ocidental, criando uma situação de alguma prosperidade e riqueza proveniente do exterior, sendo visível inclusive a presença de influências estrangeiras nas tradições culturais, na língua e na religião. Os territórios dominados eram administrados pelo exército egípcio e sobretudo por funcionários civis, nomeadamente governadores provinciais, os rabisu, permanecendo muitos centros de população nas mãos de príncipes locais. O panorama de conquista cultural e militar egípcia era visível nas cidades amuralhadas e nos postos comerciais existentes por quase toda a Núbia.
Do Império Novo chegam-nos nomes como Tutmés III e sua rainha e regente, Hatchepsut, que conduziram o Egito ao domínio territorial de vastas regiões até ao Eufrates, além da manutenção das expedições à Síria. Depois, veio a prosperidade com Amen-hotep (Amenófis) III, pai do polémico e revolucionário Amen-hotep IV, o faraó que elegeu Aton como deus único e mudou o seu nome para Akhenaton e também a capital egípcia para Akhetaton (Amarna), iniciando o período mais peculiar do Império Novo, do monoteísmo e das reformulações estético-artísticas subjacentes.
A imposição de Aton como deus único e a supressão dos restantes cultos no seio de uma sociedade profundamente politeísta provocaram uma crescente hostilidade, que após a sua morte levou à destruição de monumentos e legados relacionados com a figura do faraó e do seu deus. Com o jovem Tutankhamon (suposto filho do herético Akhenaton), repõe-se a antiga ordem egípcia, abandonando-se Akhetaton e aniquilando-se toda e qualquer memória do faraó monoteísta.
A XIX dinastia começará com Ramsés I, sucedido por Seti I, que encetou várias campanhas contra a Líbia e a Palestina. Depois veio o mais longo reinado (67 anos) do Império Novo, com Ramsés II, que faz a paz com os Hititas, iniciando um período de crescendo económico e alterações sociais. O seu sucessor, Merenptah, verá o Egito ser atacado pelos obscuros Povos do Mar, os quais vence mas não afasta, além dos Líbios.
Com a XX dinastia, surgem novas vagas de Povos do Mar no Egito, rechaçadas pelo provavelmente último grande faraó da história do Egito, Ramsés III, que não conseguiu, todavia, impedir o enfraquecimento ulterior do mundo egípcio, fruto do poder crescente do clero, autonimizado cada vez mais, da corrupção e enriquecimento dos funcionários provinciais e do poder militar dos caros mercenários, que exauriam os cofres dos reis da XX dinastia (e se insubordinaram), que teve depois de Ramsés III reinados curtos e cheios de problemas e crises.
No fim, com os ricos e poderosos clérigos de Amon, estalou a guerra civil em Tebas, entre o sumo-sacerdote daquele deus e o vice-rei da Núbia (uma colónia egípcia). Era a agonia do Império Novo, já sem os tributos da Síria, da Palestina, da Fenícia, com uma administração corrupta e vândala, que até pilhava túmulos reais, greves, fomes e tumultos. E para piorar, até o Nilo, teve caprichos como nunca, com cheias desreguladas no calendário e caudais incertos, o que significava a fome e a crise...
Mas o Império Novo foi o berço de grandes realizações humanas do Egito Antigo e montra da sua civilização. Desde o Vale dos Reis, sepultura dos faraós deste período, aos templos de Lucsor e Karnak ou Abu Simbel, não faltam referências artísticas a esta época, muito conhecida pelo pobre e secundário túmulo de Tutankhamon, hoje mais considerado que outros similares desaparecidos mas de maior valor e brilho artísticos.
A pintura, a escultura e o relevo, as artes menores e a literatura foram também soberbamente desenvolvidas e difundidas nesta época. O longo reinado de Ramsés II foi o mais fecundo período artístico do Império Novo, época de intercâmbios não apenas económicos mas também culturais, de afirmação do poder egípcio (protetorados de Canaã, Síria e Fenícia, paz e diplomacia mas também de animação cultural e religiosa. Depois do Império Novo, nunca mais o Antigo Egito se reencontrou aos níveis de civilização que conhecera até à XX dinastia.
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