Emigração massiva dos anos 60

Na década de 60, Portugal assistiu a um crescimento económico que se traduziu num aumento significativo do investimento e numa certa abertura à economia externa. O turismo evoluiu positivamente e as remessas dos emigrantes contribuíram, em grande medida, para equilibrar a balança comercial.

Contudo, persistiam inegáveis dificuldades económicas resultantes, essencialmente, do acréscimo das despesas públicas. A Guerra Colonial era um sorvedouro dos dinheiros do Estado e um das principais razões para uma problemática quebra da mão de obra agravada pela forte vaga de emigração, provocando o aumento salarial.

A crise petrolífera de 1973 debilitou ainda mais a frágil economia nacional na década seguinte. Tudo isto significou que o crescimento económico desencadeado nos anos 50 não fora suficiente. Portugal afastou-se ainda mais dos países europeus que lhe estavam mais próximos, as assimetrias regionais agravaram-se e a agricultura não conseguiu acompanhar o ritmo de crescimento de outros setores económicos.
A emigração não é um fenómeno exclusivo deste período, mas nesta década os valores atingidos em Portugal foram bastante alarmantes, pois causaram a desertificação das regiões mais carenciadas do país, onde os números da emigração atingiram valores mais elevados.

Os fatores determinantes para esta emigração massiva foram: a crise do setor agrícola, a total incapacidade dos outros setores económicos absorverem a população rural que abandonava os campos, a falta de mão de obra em muitos países da Europa e a fuga à Guerra Colonial e à repressão política. A agricultura continuava a ser um setor tecnicamente atrasado, que sofria os efeitos de uma deficiente distribuição da propriedade e do êxodo da população rural para os centros urbanos, mas que não foi absorvida pelos outros setores económicos.

Esta população, oriunda do campo, foi compelida a procurar novas oportunidades no exterior. Alguns países da Europa, como a França, que no pós-guerra conheceram uma fase de prosperidade económica, atraíram milhares de Portugueses, que aí procuraram vantajosas condições salariais e uma melhoria da qualidade de vida.

Outro ponto fundamental da análise deste fenómeno é a situação política do país. Muitos cidadãos procuravam fugir não à miséria, mas à terrível guerra colonial e à forte repressão política desencadeada pelo regime contra os seus incómodos opositores.

Este surto de emigração teve reflexos imediatos na economia portuguesa. Conduziu à redução e ao envelhecimento da população, sobretudo nas regiões do interior, provocou uma diminuição da mão de obra e operou uma mudança cultural e material no país com as remessas dos emigrantes. Nos países de acolhimento os emigrantes tinham um nível de vida mais elevado, apesar da emigração, em especial a clandestina, se ter efetuado em condições extremamente difíceis.

Campo de investigação ainda em grande medida por concretizar, a emigração portuguesa (juntamente com a espanhola, cronologicamente coincidente e com motivações algo idênticas), marcou (e marca) fortemente a feição da sociedade portuguesa. O seu peso e as suas implicações, a todos os níveis, são até hoje questões essenciais da vida nacional e remontam todos os programas governativos.

Os principais destinos foram a França e a Alemanha, onde o esforço de reconstrução face à destruição gerada pela Segunda Guerra Mundial se mantinha, a Suíça, a Bélgica e a América Anglo-Saxónica, e em menor escala a Austrália. A Venezuela, o Brasil e a África do Sul foram também países de acolhimento dos emigrantes portugueses. Apesar da Guerra Colonial, muitos foram os que debandaram também para Angola e Moçambique.


Como referenciar: Emigração massiva dos anos 60 in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-10-20 23:20:37]. Disponível na Internet: