Ercília Costa

Fadista e atriz, nasceu a 3 de agosto de 1902, na Costa da Caparica, e faleceu a 16 de novembro de 1986, em Algés. Foi a primeira grande estrela internacional do fado. Há quem diga que foi ela que lançou a moda de cantar com um xaile negro. Teve os cognomes de A Santa do Fado e Sereia Peregrina do Fado.
Filha de pescador, cresceu junto ao mar, naquela vila da margem sul do Tejo. Trabalhou como costureira. Mas desde muito nova começou a dar nas vistas como cantora. Assim, ainda adolescente, estreou-se em público no Retiro Ferro de Engomar, na Caparica. Aos 15 anos foi a Lisboa e cantou no Café Luso. O público ficou deslumbrado. O grande guitarrista Armandinho convidou-a imediatamente para cantar ali. Contudo Ercília Costa recusou, por não ter autorização da mãe. Mas após pedirem autorização à sua mãe contrataram-na para gravar um disco em Madrid, com a etiqueta da Odeon. Essas gravações, em que é acompanhada por Armandinho, só disponíveis ao público em 1930, foram passadas para CD, pela Tradisom. Já antes, em 1929, saíra um outro disco, pela editora Brunswick. Assim, em meados dos anos 20, Ercília Costa era já uma cantora conhecida da noite lisboeta, atuando em várias casas de fado. E rapidamente a sua carreira ultrapassou os limites da capital. Em 1931, atuou na Madeira e nos Açores. Em 1936, no Brasil, numa comitiva que incluía Vasco Santana e Mirita Casimiro. Quando regressou do Brasil foi recebida em apoteose, tendo-se realizado noites de homenagem a Ercília Costa. Em 1937, foi a vez de Paris e, dois anos depois, atuou na Feira Mundial de Nova Iorque, a que se sucedeu uma grande digressão por terras americanas, tendo chegado mesmo a conviver com grandes estrelas como Bing Crosby e Carry Grant. Ali, de resto, editou um disco, pela Colúmbia. Também passou pela Alemanha, Reino Unido, Espanha, entre outros países. Foi assim a grande estrela portuguesa no estrangeiro antes de Amália. Em 1945, regressou ao Brasil, onde permaneceu durante 15 meses, integrada na Companhia de Olga Garrido. De volta a Portugal, participou no filme Madragoa (1950), de Perdigão Queiroga.
Como era hábito acontecer com as grandes vozes, Ercília Costa também teve uma profícua carreira de atriz no Teatro de Revista. Entre outras, participou nas peças O Canto da Cigarra e Açorda à Alentejana.
Em 1954 retirou-se da vida artística. Contudo, continuou a gravar. O seu último disco, Museu do Fado, com alguns dos maiores êxitos, foi gravado em 1972. Do seu extenso reportório, destacam-se temas como "Fado Lisboa", "Meu Tormento", "Saudades que matam", "Fado Ercília", "Divina Graça", "Padre-Nosso Pequenino" ou a desgarrada com António Menano e Joaquim Campos.
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