escudo (heráldica)

Espaço delimitado de um escudo de armas, onde se ordenam os elementos simbólicos heráldicos.
Os escudos podem ser divididos em diversas partes, cujo número é por vezes incontável, ou não ter qualquer divisão (como o dos Meneses). Mas o maior número de partes normalmente não ultrapassa as nove, tendo cada uma delas uma designação específica.
Estas partes, ou campos, podem ser quadradas (sendo o escudo esquartelado), em forma de pala (escudo palado), em forma de faixa (escudo faixado), em forma de banda (escudo bandado) ou em forma de barra (escudo barrado). O escudo pode ainda ser partido (cortado na vertical), cortado (cortado na horizontal), fendido (com um corte horizontal da esquerda para a direita), talhado (com um corte horizontal da direita para a esquerda), franchado (dividido em quatro partes por cortes horizontais), e gironado (esquartelado e franchado). Estas partições (nome técnico das formas de dividir o campo do escudo) são as mais comuns. São usadas cores (designadas de esmaltes) nos elementos do escudo, divididas em metais (prata e ouro, representadas pelo branco e pelo amarelo) e cores (púrpura, vermelho, azul, verde e negro).
Os campos podem ter peças, como cruzes, aspas, asnas, girões, bilhetes, escudetes, bordaduras, besantes (círculo em metal), arruelas (círculo em cor), anéis, plantas (árvores, rosas, trevos e flores de lis ou lírios), animais (sendo os mais comuns o leão, a águia, os lagartos, as serpentes, as abelhas, os dragões e os grifos) e um conjunto de figuras diversas como estrelas, espadas, cadeados, esporas, machados, sóis, caldeiras, conchas e crescentes de lua (que representavam a vitória contra os mouros).
Há peças móveis, que são as que podem estar sobre outras, como por exemplo as lisonjas, os bilhetes, os besantes, as arruelas e animais. Também são representadas peles heráldicas, o arminho e os veiros.
Todos estes elementos foram sujeitos a regras muito precisas a partir do século XVI; não se podia escolher livremente a combinação que se desejava. Estas normas chamam-se regras do brasão.
O escudo pode ter, entre outras, as seguintes formas: quadrado, oval, lisonja (losango), circular, clássico (ou em ponta), peninsular (em forma de U), francês com ponta em curva e contracurva, inglês com ponta igual à do francês e bordos superiores mais largos que os restantes, alemão e italiano. Estas formas podem ser estilizadas, ornamentadas e emolduradas.
Há também ornamentos exteriores ao escudo. Em cima pode aparecer o timbre, o coronel (coroa), o virol (tecido de duas cores enrolado), o elmo e o paquife (o virol desenrolado), e dos lados suportes (animais), tenentes (pessoas), ornatos, tarjas (no clero), pavilhões e apoios (objetos).
Cada época impôs uma moda, variando por isso os formatos conforme os gostos.
A partir dos séculos XVI e XVII a forma em lisonja passa a ser maioritariamente usada pelas senhoras. Era dividido ao meio, tendo a parte esquerda as armas do pai e a direita as do marido (enquanto fosse solteira esta parte ficava em branco). As senhoras da burguesia de cidades como Gand, Milão, Bruges e Antuérpia, cujo comércio estava muito desenvolvido, começam a usar escudos de armas no século XIV.
A classe eclesiástica adota também o uso de armas no século XIV, juntando as do pai e as da congregação a que pertencia a pessoa.
No final deste século as comunidades religiosas começam a usar escudos de armas, aparecendo primeiro nas casas episcopais e catedrais e depois nas ordens monásticas.
As comunidades urbanas começam a criar escudos de armas no século XIII. No fim deste século e no seguinte os ofícios mecânicos iniciam também o uso de escudos com elementos que os identifiquem.
Há ainda os escudos de armas militares, dos territórios ultramarinos, de soberania e de corporações.
D. Afonso V proibiu em 1475 o uso de escudos de armas a quem não pertencesse à nobreza, como se fez depois na Saboia e em Inglaterra.
No início os escudos são muito simples, possuindo poucas cores (normalmente duas) e um pequeno número de figuras (sendo as mais comuns o leão e a águia). No século XII introduz-se elementos chamados diferenças, para distinguir as armas dos irmãos. Só no final deste século se começam a usar escudos de armas em Portugal.
O escudo heráldico teve origem no escudo usado pelos guerreiros para se defenderem em batalhas e nos torneios. Estes escudos tinham pintadas as armas da família a que pertencia a pessoa que combatia, para ser identificada. Na Idade Média os vassalos podiam usar os escudos de armas dos senhores ou do feudo a que pertenciam. Depois, a partir do século XIII, as pinturas foram passando a ser feitas em livros, móveis, louça, peças de ourivesaria e relojoaria, bordadas em tecidos ou gravadas em pedra ou madeira.
Os armoriais, livros que contêm desenhos heráldicos de escudos de armas, derivam da palavra francesa armoreau, que significa escudo de armas.
A Sala dos Brasões, no Palácio Nacional de Sintra, tem expostos os escudos de armas das famílias mais representativas no reinado de D. Manuel I (1495-1521), assim como o Livro do Armeiro Mor, realizado também neste período.
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