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escudo (heráldica)
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Espaço delimitado de um escudo de armas, onde se ordenam os elementos simbólicos heráldicos.
Os escudos podem ser divididos em diversas partes, cujo número é por vezes incontável, ou não ter qualquer divisão (como o dos Meneses). Mas o maior número de partes normalmente não ultrapassa as nove, tendo cada uma delas uma designação específica.
Estas partes, ou campos, podem ser quadradas (sendo o escudo esquartelado), em forma de pala (escudo palado), em forma de faixa (escudo faixado), em forma de banda (escudo bandado) ou em forma de barra (escudo barrado). O escudo pode ainda ser partido (cortado na vertical), cortado (cortado na horizontal), fendido (com um corte horizontal da esquerda para a direita), talhado (com um corte horizontal da direita para a esquerda), franchado (dividido em quatro partes por cortes horizontais), e gironado (esquartelado e franchado). Estas partições (nome técnico das formas de dividir o campo do escudo) são as mais comuns.
Brasão de Fernão Álvares Andrade (escudo com banda vermelha abocada por duas cabeças de serpente)
São usadas cores (designadas de esmaltes) nos elementos do escudo, divididas em metais (prata e ouro, representadas pelo branco e pelo amarelo) e cores (púrpura, vermelho, azul, verde e negro).
Os campos podem ter peças, como cruzes, aspas, asnas, girões, bilhetes, escudetes, bordaduras, besantes (círculo em metal), arruelas (círculo em cor), anéis, plantas (árvores, rosas, trevos e flores de lis ou lírios), animais (sendo os mais comuns o leão, a águia, os lagartos, as serpentes, as abelhas, os dragões e os grifos) e um conjunto de figuras diversas como estrelas, espadas, cadeados, esporas, machados, sóis, caldeiras, conchas e crescentes de lua (que representavam a vitória contra os mouros).
Há peças móveis, que são as que podem estar sobre outras, como por exemplo as lisonjas, os bilhetes, os besantes, as arruelas e animais. Também são representadas peles heráldicas, o arminho e os veiros.
Todos estes elementos foram sujeitos a regras muito precisas a partir do século XVI; não se podia escolher livremente a combinação que se desejava. Estas normas chamam-se regras do brasão.
O escudo pode ter, entre outras, as seguintes formas: quadrado, oval, lisonja (losango), circular, clássico (ou em ponta), peninsular (em forma de U), francês com ponta em curva e contracurva, inglês com ponta igual à do francês e bordos superiores mais largos que os restantes, alemão e italiano. Estas formas podem ser estilizadas, ornamentadas e emolduradas.
Há também ornamentos exteriores ao escudo. Em cima pode aparecer o timbre, o coronel (coroa), o virol (tecido de duas cores enrolado), o elmo e o paquife (o virol desenrolado), e dos lados suportes (animais), tenentes (pessoas), ornatos, tarjas (no clero), pavilhões e apoios (objetos).
Cada época impôs uma moda, variando por isso os formatos conforme os gostos.
A partir dos séculos XVI e XVII a forma em lisonja passa a ser maioritariamente usada pelas senhoras. Era dividido ao meio, tendo a parte esquerda as armas do pai e a direita as do marido (enquanto fosse solteira esta parte ficava em branco). As senhoras da burguesia de cidades como Gand, Milão, Bruges e Antuérpia, cujo comércio estava muito desenvolvido, começam a usar escudos de armas no século XIV.
A classe eclesiástica adota também o uso de armas no século XIV, juntando as do pai e as da congregação a que pertencia a pessoa.
No final deste século as comunidades religiosas começam a usar escudos de armas, aparecendo primeiro nas casas episcopais e catedrais e depois nas ordens monásticas.
As comunidades urbanas começam a criar escudos de armas no século XIII. No fim deste século e no seguinte os ofícios mecânicos iniciam também o uso de escudos com elementos que os identifiquem.
Há ainda os escudos de armas militares, dos territórios ultramarinos, de soberania e de corporações.
D. Afonso V proibiu em 1475 o uso de escudos de armas a quem não pertencesse à nobreza, como se fez depois na Saboia e em Inglaterra.
No início os escudos são muito simples, possuindo poucas cores (normalmente duas) e um pequeno número de figuras (sendo as mais comuns o leão e a águia). No século XII introduz-se elementos chamados diferenças, para distinguir as armas dos irmãos. Só no final deste século se começam a usar escudos de armas em Portugal.
O escudo heráldico teve origem no escudo usado pelos guerreiros para se defenderem em batalhas e nos torneios. Estes escudos tinham pintadas as armas da família a que pertencia a pessoa que combatia, para ser identificada. Na Idade Média os vassalos podiam usar os escudos de armas dos senhores ou do feudo a que pertenciam. Depois, a partir do século XIII, as pinturas foram passando a ser feitas em livros, móveis, louça, peças de ourivesaria e relojoaria, bordadas em tecidos ou gravadas em pedra ou madeira.
Os armoriais, livros que contêm desenhos heráldicos de escudos de armas, derivam da palavra francesa armoreau, que significa escudo de armas.
A Sala dos Brasões, no Palácio Nacional de Sintra, tem expostos os escudos de armas das famílias mais representativas no reinado de D. Manuel I (1495-1521), assim como o Livro do Armeiro Mor, realizado também neste período.
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Como referenciar
escudo (heráldica) na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$escudo-(heraldica) [visualizado em 2026-06-04 14:34:57].

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