Estação Espacial Mir

Estação espacial russa, lançada em 1986, que se encontrava em órbita da Terra, a cerca de 350 quilómetros da superfície do planeta. A estação tinha um tempo de vida previsto de cinco anos, mas os responsáveis pelo programa espacial russo mantiveram-na em órbita até 2001. Ao longo dos anos, a composição da Mir foi ampliada, com o acrescento de novos módulos e mecanismos, e a tripulação mudada, geralmente de seis em seis meses.
A Mir era um importante laboratório espacial. Nessa qualidade, foi centro de projetos de cooperação internacional no âmbito da investigação científica. A Agência Espacial Europeia esteve associada a duas missões, em 1994 e 1995, e a NASA participou nas ações da Mir desde 1993. Desta forma, na Mir ensaiava-se a cooperação que levaria à construção da estação orbital internacional Alfa. No projeto Alfa participaram a Rússia, os Estados Unidos da América e mais outros doze países.
Em parte devido a uma existência longa, a Mir debateu-se, nos últimos anos, com problemas técnicos sucessivos. Em 1997, esses problemas agudizaram-se e puseram mesmo em risco, por diversas vezes, a vida dos tripulantes. Os acontecimentos mais graves deram-se em fevereiro e em junho. Na primeira ocasião, deflagrou um incêndio a bordo que encheu a estação de fumo e provocou quebras na captação de energia e na produção de oxigénio.
Em junho, uma manobra de acoplagem mal realizada levou a que uma nave de abastecimento perfurasse a fuselagem do módulo Spektr, onde tinham lugar as principais experiências científicas e onde se encontrava grande parte dos painéis solares da estação. Ao selar aquele módulo para fazer face à despressurização, um dos astronautas desligou acidentalmente alguns cabos. Em consequência, vários sistemas essenciais foram afetados, nomeadamente o sistema de produção de oxigénio, o controle de temperatura e a própria captação de energia.
Poucos dias depois, já em julho, avariaram os dispositivos de orientação giroscópica da Mir, que mantinham os painéis fotovoltaicos alinhados com o Sol (do qual a estação, em condições normais, recebia quase toda a energia necessária). A causa do problema foi localizada no computador central, que estava também avariado.
A tripulação da Mir fez o que pôde para controlar os danos. Porém, as reparações ficaram a cargo de uma nova tripulação russa, chegada em inícios de agosto, e dependentes também da chegada do vaivém norte-americano Atlantis, em finais de setembro.
A 17 de março de 2001, devido ao seu estado precário, a estação foi destruída e os destroços dirigidos para o oceano Pacífico.
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