Expressões Artísticas e Monumentalidade da Grécia Antiga

Sob a liderança de Péricles, a cidade de Atenas tornou-se um centro de cultura, da arte, literatura, filosofia e ciências. Dispondo de parte do tesouro da cidade, o líder político desta pólis decidiu reconstruir os templos destruídos pelos persas e erigiu novas estruturas entre as quais se destacam o Parténon e outros edifícios da Acrópole. Não admira portanto que, apesar dos escassos quinze anos em que ocupou o poder, Péricles tenha dado o nome a este século.
A vaga de restauro e engrandecimento de Atenas proporcionou inúmeros postos de trabalho para os cidadãos mais pobres, encarregados de porem em prática os ambiciosos projetos dos artistas gregos.
A mais famosa acrópole do mundo grego é a Acrópole de Atenas, uma formação de rocha de cerca de 150 metros. Inabitada durante o Neolítico (c. 5000 a. C.), teve, na Idade do Bronze (c. 1459-1200 a. C.), palácios fortificados e edifícios micénicos. Entre este período e o Arcaico (século VII a. C.) pouco se sabe deste local, mas no século VI a. C. aqui foi construído o templo de Atena, a deusa protetora da cidade, conhecido por Hecatompedos.
A vitória dos Gregos sobre os Persas na batalha de Maratona, em 490 a. C., inspirou a criação de um programa de edificação dos templos dedicados aos deuses e em celebração da sua vitória na guerra com os Persas. Foi então decidida a construção de um templo de mármore na Acrópole, interrompida pela derrota dos Gregos na batalha de Termópilas, em 480 a. C. Após esta vitória sobre os Gregos os Persas saquearam e destruíram a cidade, contudo, a sorte da guerra coube aos Gregos na batalha de Plateias, em 479 a. C.
Os atenienses juraram não reconstruir os templos por um período de 30 anos em lembrança da impiedade dos persas para com os seus deuses.
A reconstrução da Acrópole ocorre durante a governação de Péricles e far-se-á numa escala verdadeiramente monumental. O programa ambicioso da sua reconstrução reflete o auge de Atenas e das cidades-estados, bem visível na construção do Parténon e do Propileu; e depois da morte deste estadista do templo de Atena Niké, iniciado em 427 a. C., e do Erechtéion cuja edificação se iniciou em 421 a. C.
Estes projetos foram financiados pelos fundos do tesouro dos templos e de outras instituições públicas, do espólio das guerras com os persas, e dos tributos pagos pelas cidades gregas.
O Parténon, o edifício central da Acrópole, é o maior templo dedicado à deusa Atena no mundo grego (mede 70 por 31 metros) e um dos mais imponentes exemplares da arquitetura dórica. A construção deste templo começou em 447 e concluiu-se em 438 a. C. Este edifício ocupava o local onde no passado se encontravam dois templos: o Hecatompedos e o templo inacabado pela destruição dos persas.
O santuário foi construído em mármore do monte Pentelikon (Pantélico) e os seus arquitetos foram Calícrates e Ictino.
A fachada do edifício religioso apresenta oito colunas e é flanqueado por 17 colunas. O seu interior está dividido em duas secções precedidas por uma câmara. A cella, a maior dependência, guardava uma majestosa imagem de Atena de ouro e marfim (criselefantina); o compartimento de menores proporções suportado por colunas iónicas ostentava o tesouro.
A sua monumental escultura foi produzida por um dos mestres da escultura grega clássica, Fídias, que trabalhou com os seus discípulos na representação de cenas mitológicas, como a luta de Atena com Poseidon pela posse da Ática; e na decoração do friso onde foi esculpida a procissão panatenaica, uma das procissões mais importantes da religião grega, na qual o peplos era levado da Acrópole e oferecido à estátua de madeira de Atena. As esculturas que faltam, museologicamente designadas de Elgin Marbles (em honra de Lord Elgin), encontram-se expostas no Museu Britânico.
O Propileu é a monumental entrada da Acrópole de Atenas, construída em mármore branco, segundo o risco de Mnésicles, que começou os trabalhos em 437 a. C., sem estes serem, todavia, totalmente acabados. A sua frontaria consiste em dois conjuntos de seis colunas dóricas formando uma estrutura em L, e a parte traseira apresenta, por sua vez, dois conjuntos de colunas também da ordem dórica. No lado norte encontrava-se a Pinacoteca, um local reservado à exposição de famosos trabalhos pictóricos.
No templo de Atena Niké, dedicado à deusa da vitória, trabalhou o artista Calícrates entre 427 e 423 a. C., que edificou esta construção num bastião sobranceiro à aproximação do Propileu. Este é o primeiro edifício a ser avistado por quem se dirige à Acrópole. Compõe-se de dois conjuntos de quatro colunas jónicas e um friso contínuo na arquitrave onde se representam divindades em batalha.
O Erecteion no lado norte da Acrópole, cujo nome identifica um mítico rei de Atenas, é um dos templos jónicos mais elaborados da Acrópole e um dos mais dispendiosos, devido ao espaço disponível para a sua edificação e à necessidade de serem preservados templos antigos, dentro e em volta da área onde foi implantado. Nesta área encontravam-se, por exemplo, os vestígios do mítico passado de Atenas como a sua oliveira. O templo foi iniciado em 421 a. C., mas os trabalhos entretanto foram interrompidos em 414, para voltarem a ser retomados, mais tarde, em 409 a. C.
Interiormente, guardava a mais sagrada escultura de Atena, uma imagem de madeira; e exteriormente apresentava colunas em forma de mulheres, as Cariátides, umas esculturas de suporte.
A Acrópole de Péricles manteve-se inalterada até ao tempo de Augusto, à exceção de ofertas votivas de Alexandre, o Grande, e de alguns imperadores romanos. A partir do édito de Teodósio em 429 foi banido o culto pagão neste e em todos os restantes templos gregos. Antes, no tempo do imperador Constantino, estes templos terão sido cristianizados. Durante a Idade Média a Acrópole teve vida atribulada sendo, como Atenas, ocupada por diversos povos e assediada várias vezes como aconteceu, por exemplo, com os turcos otomanos, que dela se apoderaram.
Em 1687, o general veneziano Francesco Morosini atacou e bombardeou a Acrópole, provocando danos substanciais junto do Propileu. Com a reconquista turca, as ruínas foram de novo desprezadas.
No princípio do século XIX (1801) Lord Elgin, embaixador inglês junto do sultão turco, retirou, com o consentimento da potência ocupante, parte da decoração escultórica do Parténon. Após a consolidação do processo de independência da Grécia em 1830 foram tomadas providências no sentido de restaurar a Acrópole. No ano de 1971 a UNESCO alertou para o perigo que os monumentos da Acrópole corriam, com a visita de milhares de turistas; em 1975 procedeu-se assim à estruturação de um programa para a sua preservação.
Na escultura, o período entre 480 e 450 a. C. foi o da passagem do arcaísmo à experimentação. Durante este período entre as obras mais famosas contam-se o Auriga de Delfos e o Apolo do Templo de Zeus em Olímpia, bem como o relevo-trono de Ludovisi no Museo delle Terme de Roma.
Nesta fase de transição o escultor mais importante é Míron, apreciado pelo desdobramento de planos patente no Discóbolo, uma obra conhecida através de cópias posteriores. Este trabalho capta, simultaneamente, o momento de pausa e a preparação de ação do lançamento do disco.
A segunda metade do século V a. C. é o período do idealismo, da espiritualidade e da delicadeza da escultura grega clássica. Trata-se de um estilo cultivado pelo artista Fídias e pelos seus discípulos, que com ele produziram o Grupo dos Pedimentos do Parténon, que representa a disputa entre Atena e Poseidon; o nascimento da deusa; as métopas com o combate travado entre os centauros e lápitas, os deuses e gigantes, e os gregos e as amazonas; e o friso contínuo com a representação da procissão das Panateneias.
Da sua autoria era também a escultura de Atena Partenos coberta a ouro e marfim, ou criselefantina, mantida no interior do templo; a desaparecida Atena Prómacos, que comemorava a batalha de Salamina; e ainda a Atena de Lemnos, e a estátua criselefantina de Zeus em Olímpia, também ela desaparecida.
Policleto, o escultor de atletas, foi outro dos artistas de renome, executando, entre outras obras, o Doríforo, uma escultura muito copiada que deu origem a um tratado da autoria do artista. O conjunto da escultura e do livro tomou o nome de Canon.
Da sua produção são igualmente o Diadoumenos, conhecido através de cópias, e a Hera criselefantina destinada a ornar um templo de Argos.
Outros nomes de segundo plano são os dos escultores Alcámenes, Agorácrito e Crésilas. Do final do século V são de referir duas obras essenciais: os relevos do parapeito do templo de Atena Niké e a Nereida do monumento das Nereidas em Xantos, na Lícia.
No século de Péricles, em que, como se viu, a arte e a monumentalidade atingem as fronteiras do mais belo, desenvolvem-se outras formas de cultura, já afloradas neste e noutros artigos acerca desta civilização.
Na literatura vive-se uma fase de invulgar criatividade; Ésquilo, Sófocles, Eurípides e Aristófanes, entre outros, produzem obras de valor decisivo; desenvolve-se a investigação histórica com Heródoto e Tucídides; e a filosofia abrilhanta-se com o talento de Sócrates, precursor admirável dos dois grandes vultos do século seguinte: Platão e Aristóteles. Com estes pensadores e criadores criavam-se as bases para o desenvolvimento futuro da consciência cultural europeia.
A arquitetura grega é um produto dos homens-livres assalariados, que construíram uma arte que se libertou da ordem colossal própria dos Egípcios e dos Assírios. Os Gregos procuravam a grandeza, não na escala, mas nas proporções harmoniosas e equilibradas. É uma arquitetura funcional, que no entanto procura a beleza. O templo é o seu edifício mais emblemático, construído a partir de uma cella, ou naos onde se guardava a estátua da divindade tutelar do templo, precedida por um pronaos e seguida por uma colunata ou peristilo.
A escultura pode ser de diversos tipos: religiosa, atlética, política ou funerária. De entre os diferentes géneros de escultura destacam-se as de temática religiosa e atlética. A primeira está intimamente ligada à arquitetura e a segunda representada por exemplo pelas estátuas dedicadas aos atletas vencedores das olimpíadas.
Da pintura grega apenas sobreviveram escassos exemplares arcaicos, helenísticos ou romanos. Do século V a. C. são conhecidas as pinturas de Polignoto, um artista que decorou parte da Stoa Poikile na Ágora de Atenas.
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