Fígados de Tigre

Obra dramática de Gomes de Amorim, subintitulada Paródia de Melodramas, onde o autor, à semelhança do que Almeida Garrett fez nas Viagens na Minha Terra com a sua receita irónica para a confeção da literatura contemporânea, pretende parodiar a estratégia, os temas e os motivos do melodrama, género em voga ainda em meados do século XIX, desmistificando e desconstruindo os seus processos. O próprio autor esclarece em nota que "nada há nesta peça que não seja irónico, simulado, burlesco, zombeteiro e caricato" e que "as trocas de mulheres, as complicações de parentesco e de enredo, são puros gracejos - paródias de peças - que julgo desnecessário citar, onde se veem ao sério muitas destas embrulhadas". O elenco reúne personagens tão absurdas como Pilatos, Golias, Macbeth, Otelo, Plutão, Tântalo, Sísifo, Prometeu, Orfeu, Eurídice, Um Cavaleiro da Idade Média, O Sol, A Lua, As Estrelas, entre muitas outras. A extravagância da peça fez com que a princípio não fosse muito bem recebida pelo público, mas a sua originalidade tem sido realçada pelos críticos atuais, havendo mesmo quem a considere uma precursora do teatro do absurdo.
Como referenciar: Fígados de Tigre in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-07-20 22:49:57]. Disponível na Internet: