Fílon de Alexandria

Fílon nasceu na Alexandria e viveu aproximadamente entre 20 a.C. e 45 d.C. desconhecendo-se informações rigorosas sobre ele depois de 41. Foi filósofo e teólogo do judaísmo alexandrino, sabendo-se que chegou a ser embaixador.
Autor dotado de um pensamento profundo, sincrético e eclético, deixou diversas obras de carácter filosófico - Sobre a incorruptibilidade do Cosmos e Da Providência - de exegése teológica do Pentateuco (cinco primeiros livros da Bíblia) e de carácter histórico-apologético.
A sua preocupação primeira parece ter sido encontrar pontos de união e comunicação entre a filosofia grega, especialmente nas vertentes platónica, aristotélica e estoica, e a revelação judaica; para Fílon a filosofia grega derivava do judaísmo, mais propriamente, do Antigo Testamento. Fílon admite a interpretação literal dos livros sagrados da revelação hebraica, mas defende, ainda, como necessária a interpretação alegórica em diferentes graus sucessivamente mais profundos, evitando, deste modo, o antropomorfismo para o qual tende o homem vulgar. A teologia que propõe, com raízes helénicas, sobretudo platónicas, exprime um dualismo metafísico, no qual há Deus e há o mundo, o primeiro é o criador, o segundo a criação; Deus é puramente transcendente, uno, simples, espírito; o mundo é o múltiplo, complexo, a matéria. Deus, estando num plano suprarracional, não pode ser conhecido por via racional, mas, tão-só, por via intuitiva. Deus é identificado com o Ser (segundo a revelação bíblica: "Eu sou Aquele que É"). Contudo, é possível, segundo Fílon, algum conhecimento analógico de Deus e, assim, é possível atribuir-lhe racionalmente algumas características - para além das referidas acima, a liberdade, a omnipotência e, entre outras, a absoluteidade.
Deus é o radicalmente outro e, ainda que sendo omnipresente, não se pode confundir com nada da criação, com nada de determinado, pois Ele está acima ou fora do espaço e do tempo. Entre a dualidade, criador/criatura, insere-se uma série de forças ou potências, intermediários arquetipais entre uma e outra, expressas já no Antigo Testamento, no qual, segundo Fílon, o platonismo tinha bebido o conceito de ideias, que constituem um mundo ideal contido no Logos. Deus criou e continua a criar por intermédio do Logos.
O homem, devido ao pecado original, aparece, neste sistema, como um espírito aprisionado na matéria, que deve procurar a sua libertação por meio de uma ascese rigorosa. Deus dá-se ao homem que o busca, apenas no limite deste processo ascético, ou seja, no êxtase.
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