Franz Brentano

Sacerdote católico, Franz Brentano nasceu em 1838, em Marienburgo, e morreu em 1917, em Zurique. Em 1864 foi ordenado sacerdote católico, tendo abandonado o sacerdócio em 1873, em desacordo com o dogma da infalibilidade papal. Foi Professor em Würzburgo e em Viena.
Defensor, inicialmente, do aristotelismo tomista, que conhecia a fundo, vai-se afastando deste gradualmente. Defendia uma filosofia de tipo realista, contra o idealismo ainda em voga na Alemanha, procurando desse modo impor mais objetividade a esta disciplina. Esta ânsia de rigor é bem demonstrativa da sua inclinação para a matemática.
Quando se estabelece em Viena, lecionando, reúne um determinado número de discípulos que se viriam a tornar bem conhecidos, e entre os quais se encontram Husserl, Meinong e Hildebrand. É um profundo conhecedor e até renovador de Aristóteles, tem afinidades com Descartes, Leibnitz e São Tomás de Aquino. Pelo contrário o idealismo de Kant a Hegel parece-lhe um desvio. Brentano é, no fundo, um espírito positivista, um empirista, não no sentido comum do termo mas na medida em que ele próprio denomina "empírico" o seu método, considerando que se pode apreender a essência de um fenómeno observando-o isoladamente.
Brentano abordou os domínios da ética e da teologia, mas é essencialmente no domínio da psicologia que ele se situa, pretendendo reformar a filosofia a partir daí; esta tarefa será perseguida depois explicitamente pela fenomenologia husserliana. É nesse sentido que surge um dos conceitos fundamentais em que Brentano insistiu - a intencionalidade da consciência - e que a fenomenologia viria depois a depurar, descartando-se da tendência psicologista em que ele se apoiava. Para Brentano, a consciência é sempre consciência de alguma coisa, não há a consciência, por assim dizer, vazia. A psicologia é definida já não como a "ciência da alma", mas como a "doutrina dos fenómenos psíquicos".
Para Brentano, a filosofia deve procurar ser mais rigorosa, devendo para isso munir-se de um método que assente na descrição daquilo que à consciência é dado e do próprio ato intencional da consciência.
No início da Primeira Grande Guerra, Brentano retira-se para Zurique, onde viria a morrer.
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