Fred Zinnemann

Realizador austríaco, Fredrich Zinnemann nasceu em Viena a 29 de abril de 1907. Em criança, aprendeu a tocar violino e, em 1926, ingressou no curso de Direito da Universidade de Viena. Ainda adolescente, apaixonara-se pelos filmes de Sergei Eisenstein e de Erich von Stroheim, pelo que, em 1928, decidiu abandonar o curso e mudar-se para Paris, apesar da oposição da família. Na capital francesa, frequentou um curso de Cinema. Findo o curso, viajou para Berlim onde trabalhou como assistente de realização de Robert Sidmark e de Billy Wilder nos estúdios UFO. Com o advento do cinema sonoro, decidiu partir para Hollywood mas as portas como assistente de realização foram-lhe encerradas. Trabalhou como operador de câmara e como figurante, mas, em 1931, conheceu o documentarista Robert Flaherty, que o convidou para seu assistente pessoal. Ambos viajaram pela Ásia, assinando curtas-metragens documentais de grande valor. De regresso aos Estados Unidos, conseguiu o apoio financeiro do produtor Paul Strand para filmar no México um documentário: Redes (Os Revoltados de Alvarado, 1935) impressionou pelo seu realismo narrativo. A sua primeira longa-metragem de ficção foi também filmada no México e com um naipe de atores amadores: The Wave (1937). Entre 1938 e 1942, filmou quinze curtas-metragens, entre as quais That Mothers Might Live (1938) que lhe valeu um Óscar na já extinta categoria de Curta-Metragem Uma Bobina. Realizou também alguns filmes de série B, mas a sua primeira longa-metragem de sucesso foi The Seventh Cross (A Sétima Cruz, 1944), um filme de ação sobre um grupo de sete homens que foge de um campo de concentração nazi e é perseguido pela Gestapo. Voltou a receber críticas favoráveis pelo seu retrato semi-ficcionado de um soldado americano (interpretado por Montgomery Clift) que toma conta de uma criança sobrevivente de um campo de concentração, The Search (Anjos Marcados, 1948), que lhe valeu a primeira nomeação para o Óscar de Melhor Realizador. Seguiu-se o drama social The Men (O Desesperado, 1950), que marcou a estreia cinematográfica de Marlon Brando no papel de um veterano de guerra paraplégico que tenta reconstruir a sua vida. Em 1951, venceu o primeiro Óscar da sua carreira como produtor do documentário de curta-metragem Benjy (1951) cujos lucros reverteram a favor de um hospital de Los Angeles. Unanimemente considerada como a sua obra-prima foi High Noon (O Comboio Apitou Três Vezes, 1952), um magnífico exemplo do western de cariz psicológico sobre um xerife (Gary Cooper no papel que lhe deu um Óscar para Melhor Ator), que, no dia do seu casamento, se vê obrigado a enfrentar um pistoleiro que prendera anteriormente. O Óscar para Melhor Realizador chegou no ano seguinte com o drama From Here to Eternity (Até à Eternidade, 1953), dirigindo um elenco de luxo onde pontificaram Burt Lancaster, Deborah Kerr, Frank Sinatra e Ernest Borgnine. Zinnemann voltou a arrecadar nomeações com The Nun's Story (História Duma Freira, 1959) e The Sundowners (Três Vidas Errantes, 1960). Em 1966, viu o seu drama histórico A Man For All Seasons (Um Homem Para a Eternidade, 1966) sobre a vida de Thomas Moore arrecadar seis Óscares, um dos quais o de Melhor Realizador. Em 1967, optou por radicar-se na Inglaterra, onde rodaria filmes bem sucedidos como The Day of the Jackal (Chacal, 1973) e Julia (Júlia, 1977). O seu derradeiro filme foi Five Days One Summer (Cinco Dias Num verão, 1982), um drama romântico protagonizado por Sean Connery. Vítima de uma síncope cardíaca, faleceu em Londres a 14 de março de 1997.
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