Gerrit Rietveld

Arquiteto holandês, Gerrit Thomas Rietveld nasceu a 24 de junho de 1888, em Utreque. Iniciou a sua carreira profissional aprendendo marcenaria na oficina do pai mas, mais tarde, preferiu trabalhar numa joalharia como desenhador. Em simultâneo frequentava, em regime noturno, as aulas de P. J. C. Klaarhammer, um arquiteto ligado ao atelier de Berlage.
Em 1917 Rietveld criou a sua própria oficina de decoração de interiores onde possuía uma marcenaria, começando a experimentar formas novadoras para mobiliário doméstico. Através da agência de Robert van't Hoff entrou em contacto com o movimento neoplasticista "De Stijl", do qual se tornou membro efetivo até à sua dissolução em 1931.
A sua cadeira "Azul-Vermelha", realizada em 1918 foi reconhecida pelos artistas neoplasticistas como o paradigma da aplicação tridimensional dos rígidos pressupostos estilísticos e filosóficos de Piet Mondrian, na altura o mentor do grupo. Para além desta cadeira, o artista criou um conjunto de peças de mobiliário, concebidos essencialmente como composições espaciais abstratas, na linha estética da cadeira "Azul-Vermelha". Em 1921 iniciou atividade de projetista em colaboração com a desenhadora de interiores Truus Schröder-Schräder, para quem projetou e construiu uma habitação na qual expandiu a nível espacial a estética neoplasticista, concretizando os princípios contidos no ensaio "16 Pontos duma arquitetura plástica", recentemente publicado por Van Doesburg.
Em 1925, um ano após a conclusão da casa, Rietveld instalou aí o seu novo atelier.
A Garagem e Alojamentos do Motorista em Ureque, projeto de 1927, é um edifício cúbico de estrutura portante metálica preenchida com placas de betão pré-fabricadas que, ao definir nos vários alçados grelhas ortogonais, remetem para algumas das telas de Mondrian.
Em 1928 Rietveld foi membro fundador do CIAM (Congresso Internacional de Arquitetura Moderna) e participou no congresso preparatório do primeiro encontro, atividade que lhe permitiu obter um maior reconhecimento internacional.
Durante os anos seguintes elaborou vários projetos, alguns deles em colaboração com Truus Schröder-Schräder, dos quais de destacam o cinema Vreeburg, em Utreque, construído em 1931 e a moradia com terraço para uma família de quatro pessoas, desenhada para a exposição do Werkbund em Viena (1932).
No pós-guerra desenhou a Casa Stoop, em Velp (1951), o austero Pavilhão Holandês para a Bienal de Veneza de 1954, o Pavilhão de Escultura no Sonsbee Park, em Arnheim, também de 1954 e uma escola em Badhoevedorp (1958-1965).
O seu último projeto significativo foi o Rijksmuseum Vincent Van Gogh, construído em Amesterdão entre 1963 e 1972, sendo terminado, após a sua morte, pelos arquitetos J. van Tricht e J. van Dillen.
Para além dos inúmeros desenhos de mobiliário, Rietveld realizou bastantes estudos no âmbito da criação gráfica.
Entre 1944 e 1955 lecionou projeto de arquitetura na Escola Superior de Arquitetura de Amsterdam, tendo sido professor em várias outras escolas de arquitetura como a de Arnhem e a de Rotterdam.
Foi-lhe atribuído o prémio Sikkers em 1959. Em 1964 foi doutorado Honoris Causa pela Escola Técnica Superior de Delft e membro honorário da Federação de Arquitetos Holandeses. Nesse mesmo ano Rietveld morreu na Casa Schröder, onde passou os seis últimos anos de vida.
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