hemorragia

Uma hemorragia consiste numa perca de sangue, devido à ocorrência de uma lesão num vaso sanguíneo, o que faz com que este fluido se perca para o exterior do corpo ou para o seu interior, a nível de um tecido, órgão ou cavidade. Estes tipos de hemorragias designam-se, respetivamente, de hemorragia externa e hemorragia interna.
Geralmente, os mecanismos de coagulação do sangue conseguem bloquear a perda de sangue, obstruindo a zona por onde ocorre a fuga do fluido através de um coágulo, que mantém a sua ação até que os tecidos vasculares possam ser regenerados pelo organismo. No entanto, em caso de ruturas muito extensas, danos em vasos de grande calibre ou da existência de problemas de coagulação sanguínea, a perda de sangue pode ser rápida e abundante, dependendo a gravidade do local atingido, quantidade perdida e velocidade de saída. Em resultado de uma hemorragia aguda grave, podem advir, entre outros sintomas, choque hipovolémico, quebra da tensão arterial e anoxia, por deficiente aporte de gases respiratórios às células. Dependendo do local afetado, podem ocorrer outras alterações, como aumento da pressão intracraniana, tamponamento cardíaco e asfixia. Em caso de perdas lentas e de longa duração, os pacientes podem desenvolver anemia, como no caso de úlceras gástricas e duodenais.
As hemorragias externas ocorrem, sobretudo, por ferimentos cortantes, que interrompem a solução de continuidade da pele, tecidos adjacentes e vasos sanguíneos. A hemorragia será mais grave quanto maior for a profundidade do corte, já que os vasos de maior calibre situam-se, normalmente, a maior profundidade. O quadro clínico apresenta maior gravidade se a hemorragia for arterial, já que o sangue circula com maior pressão que nas veias, saindo em jatos, ao ritmo dos batimentos cardíacos. As hemorragias arteriais obrigam a intervenção clínica, já que a elevada pressão arterial dificulta a formação do coágulo, ao mesmo tempo que impulsiona a saída do sangue a um ritmo mais acelerado que nas veias, onde a pressão é muito mais baixa, logo, a hemorragia é mais fácil de controlar.
A hemorragia interna surge em sequência de ruturas de vasos internos profundos ou de danos em órgãos, como, por exemplo, os causados por lesões contundentes (choques ou impactos violentos).
Como sintomas da ocorrência de uma hemorragia interna, pode-se mencionar a diminuição da tensão arterial, pulso fraco, suores, cianose, tonturas, sede e pele fria. A gravidade depende do órgão atingido, duração e extensão da lesão, sendo, normalmente, mais graves que as hemorragias externas, dado serem mais difíceis de detetar e poderem atingir órgãos vitais.
Algumas hemorragias internas são mais fáceis de detetar, porque ocorrem em órgãos ou cavidades que comunicam com o exterior do corpo, como é o caso do sistema digestivo e pulmões, por exemplo.
As hemorragias podem também surgir em resultado de doenças que provoquem alterações da parede vascular ou dos processos de coagulação do sangue, como é o caso da trombocitopenia, da doença de Osler, escorbuto, alterações na síntese de fibras de elastina ou colagéneo e púrpura, entre outras. Aumentos muito elevados de tensão arterial podem conduzir ao rebentamento de vasos sanguíneos, originando uma situação clinicamente muito grave.
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