Heraclito

Filósofo grego, Heraclito, ou Heráclito nasceu em meados do século VI a. C.. Sabe-se que era filho do rei-sacerdote de Éfeso, prestigioso porto comercial grego na Ásia Menor, e que acabaria por renunciar à sucessão para se dedicar à investigação do Logos, vindo a falecer, com avançada idade, já próximo do final do século V a. C. Como se tornou costume com os primeiros filósofos, atribuiu-se-lhe a autoria de uma obra com o título Acerca da Natureza, da qual sobreviveram alguns fragmentos cuja interpretação levanta sérias dificuldades.
Crítico mordaz da religião e dos pensadores seus contemporâneos - repudiou os sacrifícios e a veneração de estátuas, além de ter atacado Homero, Hesíodo e Pitágoras, entre outros -, entrou em polémica com todos os valores estabelecidos, recorrendo a um estilo baseado em aforismos paradoxais e enigmáticos. Tudo isso contribuiu para que granjeasse uma reputação de excêntrico e misantropo e o epíteto de «o Obscuro».
As suas reflexões desenvolveram-se em torno de quatro vetores: o eterno devir, enquanto verdadeira essência; a unidade dos contrários, como conexão do real; o fogo, enquanto substância primordial e origem de toda a mudança; e o Logos, enquanto princípio ordenador universal.
Partindo da constatação de que «nada pode ser pensado sem o seu contrário» e que na natureza nada há de permanente senão o conflito e a mudança - aquele devir que deixa antever a célebre máxima «não nos podemos banhar duas vezes no mesmo rio» -, afirmou que a origem de todo o dinamismo residiria numa luta entre opostos que, no entanto, se mantêm num estado de alternância cíclica e de equilíbrio global. Daí inferiu que a própria estrutura do universo, além de ter de refletir a pluralidade na unidade (uma vez que «de todas as coisas provém uma unidade, e de uma unidade, todas as coisas»), deveria radicar não numa substância estável, como acontecera com os filósofos milésios, mas em algo de dinâmico, de «energético», capaz de explicar o carácter ininterrupto dos processos naturais. Essa substância, encontrou-a no fogo. Porém, indo mais longe que os anteriores «filósofos da natureza», considerou que o fogo, enquanto princípio material, seria apenas o epifenómeno de uma realidade mais profunda: o Logos, princípio formal cósmico que, como lei, razão e ordem do mundo, é suprema inteligência que tudo dirige, assegurando quer a oposição quer a unidade dos contrários - ele é o Uno de onde tudo provém.
Heraclito foi também um dos primeiros a afirmar a falácia do conhecimento que deriva dos sentidos - incapazes de nos fazer ultrapassar o nível superficial das aparências -, consistindo a verdadeira sabedoria em compreender o Logos.
Como referenciar: Porto Editora – Heraclito na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-09-26 04:59:04]. Disponível em