Hieros Gamos

A cerimónia de coroação associada ao casamento simbolizava a transmissão do poder divino da Deusa, através de uma mulher, para um homem que governava em seu nome. Um costume antigo entre celtas da Irlanda e do País de Gales era a união dos chefes com a sua deusa, ainda no período das sociedades matrilineares, o que aponta para o facto de que, em certas culturas, tanto europeias como africanas, o poder era exercido, não por direito próprio, mas por representação do poder divino da Deusa. Na Antiguidade, as rainhas pagãs poderiam ter vários maridos, sendo o anterior sacrificado para dar lugar a um sucessor, como foi o caso de Mab ou Hermetrude. Na Pérsia dos primeiros séculos antes de Cristo, o poder era atribuído a quem fosse casado com a rainha, uma personificação de uma deusa. A importância da mulher continuou vigente mesmo durante os primeiros tempos do cristianismo. A principal razão deste costume está em que se acreditava que, em tempos muito antigos, eram as mulheres que tinham a propriedade das casas e das terras e os homens só teriam acesso à posse dos bens através do casamento. Uma tradição semelhante existia mesmo entre os povos nómadas já que as tendas pertenciam em tempos antigos às mulheres. Antes do Islão, a posição das tendas das mulheres árabes servia para enviar ao marido mensagens de aceitação ou recusa da sua presença: com a abertura para oeste estavam proibidos de entrar... Esta ideia da tenda ainda está presente na utilização do baldaquino, uma espécie de dossel, na cerimónia judaica do casamento, simbolizando a autorização da mulher para que o homem entrasse na sua tenda, bem como no senti usado na coroação dos faraós no Egito. Os reis eram muitas vezes coroados no dia do seu casamento, como foi o caso de Salomão, numa ideia que só a sua união com a mulher-deusa legitimaria a sua autoridade.
Como referenciar: Hieros Gamos in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-08-18 04:12:53]. Disponível na Internet: