Igreja do Bonfim (Portalegre)

A Igreja do Senhor do Bonfim é um importante santuário de Portalegre, para onde convergem muitos romeiros do Alto Alentejo, e situa-se no denominado Bonfim de S. Tomé.
O santuário portalegrense foi mandado construir pelo Bispo D. Álvaro Pires de Castro Noronha, sendo lançada a primeira pedra em 1720. Em 1774, com o bispo D. Pedro de Melo e Brito da Silveira e Alvim, realizaram-se outras remodelações e restauros, situação que se voltou a repetir no século XIX.
A frontaria é elevada, constituída por um portal com meias colunas adossadas e capitéis decorados, sustentando um frontão curvilíneo, sobre o qual se encontra um pequeno escudo, tiara e composição de querubins. Acima deste rasga-se o janelão do coro, sobrepujado com a gravação do ano de 1770. Os cunhais e cornija do templo são talhadas em cantaria, destacando-se na empena o frontão trapezoidal com círculo no tímpano e profusa decoração de motivos vegetalistas e zoomórficos. Lateralmente erguem-se as torres sineiras simétricas, terminadas por uma esguia cobertura piramidal.
O interior é constituído por uma só nave, com coro alto e capela-mor. As paredes da nave são forradas por painéis de azulejos figurados, em tonalidades de azul e branco, obra setecentista legendada e referindo episódios da vida de Cristo, para além de simbologia religiosa envolta em movimentadas cercaduras barroquizantes. Acima do revestimento cerâmico dispõem-se uma sequência de telas com molduras em talha dourada, painéis "rocaille" do século XVIII que representam cenas da vida de Cristo. No centro da nave, adossados às paredes laterais, encontram-se dois púlpitos, um em frente do outro, com dossel e caixa de talha dourada. Lateralmente estão dois retábulos de talha dourada, o da esquerda de invocação de N. Sra. do Rosário, enquanto o da direita é consagrado a N. Sra. do Loreto.
O coro alto desenha um arco abatido assente em duas pilastras, tendo um elegante gradeamento de madeira. Debaixo deste estão pinturas a fresco, obra do século XVIII.
Precede a capela-mor um arco triunfal de pedra e revestido por estrutura de talha dourada, flanqueado por dois nichos misulados e abrigando as esculturas de S. Pedro e S. Paulo.
A ousia apresenta as suas paredes forradas a talha dourada e duas telas narrando o Calvário e a Descida da Cruz. A sua cobertura apresenta-se com estuques pintados e dourados. Imponente e movimentado retábulo barroco fecha a capela-mor.
A sacristia guarda algumas obras sagradas de valor, como os seis quadros setecentistas com temas hagiográficos ou as várias peças de mobiliário dos séculos XVII e XVIII.
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