Igreja Matriz de Dornes

Patrocinada pela Rainha Santa Isabel nos finais do século XIII, a Igreja Matriz de Dornes, em Ferreira do Zêzere, seria reconstruída em 1453, vindo a ser reformada nos séculos XVII e XVIII. Para além de diferentes revestimentos azulejares, esta igreja ribatejana possui um belo púlpito datado de 1544, um conjunto de pinturas quinhentistas e um retábulo do século XVII.
De invocação a N. Sra. do Pranto, a Matriz de Dornes foi fundada em finais do século XIII, mas as modificações posteriores alteraram decisivamente a sua volumetria.
À direita do portal de entrada pode-se observar uma inscrição com caracteres góticos alusivos à fundação da igreja e ainda o escudo heráldico dos Sousas. Sobre a cimalha da frontaria expõem-se duas esculturas de pedra. Outros sinais góticos surgem na zona superior da porta lateral da igreja, provavelmente inscrição de uma lápide funerária ligada a Simão Álvares. Contígua à igreja fica a torre medieval da povoação, construída em xisto, de formato pentagonal e aproveitando parte de uma anterior de origem romana, transformada no século XVI em torre sineira.
Com cobertura de madeira ostentando o escudo da Rainha Santa, a nave é ampla e está ornamentada com seis altares. As paredes e o remate superior do arco triunfal são forrados com azulejos padronizados do século XVII, podendo ver-se ainda na nave um órgão de tubos e um elegante púlpito datado de 1544 - apresentando decoração floral e uma cruz de Cristo na sua mísula. Na parede do lado da Epístola expõe-se uma tábua pintada com o Repouso na Fuga para o Egito, obra maneirista do último terço de Quinhentos.
A capela-mor está coberta por uma abóbada em caixotões preenchidos com pintura decorativa oitocentista, enquanto as suas paredes são revestidas de azulejos azuis e brancos. O retábulo-mor é uma composição de talha dourada, do Barroco Nacional dos finais do século XVII, ostentando no fecho do remate o escudo nacional.
Do acervo da igreja é ainda de destacar uma lâmpada do século XVII e um conjunto de oito esculturas hagiográficas em pedra do século XVI, com realce para uma notável Santa Catarina e uma expressiva N. Sra. do Pranto.
Em 1943, a Igreja Matriz de Dornes obteve a classificação de Imóvel de Interesse Público (IIP).
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