Igreja Matriz de Góis

Antiga vila do distrito de Coimbra, Góis possui no interior da sua Matriz uma das melhores obras de escultura tumular da Renascença portuguesa: o túmulo de D. Luís da Silveira. Consagrada a Santa Maria Maior, a Matriz de Góis foi sede de uma colegiada fundada em 1415 e assim se manteve até à sua extinção, ocorrida no ano de 1854.
O templo atual apresenta várias reformas, pertencendo a mais antiga ao século XVI, sendo as mais recentes realizadas nos finais do século XIX. Assim, a sua fachada e torre sineira, recuada em relação à frontaria, são edificações oitocentistas que não acusam grande motivo de interesse artístico.
A grande riqueza estética concentra-se no seu interior, com particular destaque para a capela-mor e as laterais do cruzeiro, especialmente a da esquerda, obra seiscentista onde repousam os restos mortais da família Barreto Chichorro - confirmam-no uma campa rasa e as iniciais gravadas no gradeamento oitocentista da entrada. A capela é coberta por abóbada esquartelada e o seu retábulo expõe telas sobre a Vida da Virgem. A capela-mor foi reerguida sob o patrocínio do 1.º Conde de Sortelha e Senhor de Góis, D. Luís da Silveira, começada em 1529 e estando concluída, com toda a probabilidade, em 1531, de acordo com as datas constantes no contrato de empreitada e na inscrição da sua sepultura. No exterior da cabeceira sobressaem os fortes botaréus de apoio, as gárgulas e os seus pináculos. Interiormente, o olhar alcandora-se na sua abóbada manuelina de nervuras, obra da autoria do arquiteto Diogo de Castilho.
Neste belo espaço arquitetónico da arte manuelina estão integradas excecionais obras de escultura funerária renascentista, abrigando as sepulturas de D. Luís da Silveira e dos seus descendentes. O enfoque centra-se quase exclusivamente no túmulo do 1.º Conde de Sortelha.
A sua estrutura, em calcário, abre-se num arco de volta perfeita, abrigando sobre este a estátua orante do nobre cavaleiro - igualmente embaixador de D. João III na corte de Carlos V de Espanha. Vivo e forte, D. Luís da Silveira ajoelha na sua arca tumular e aparece representado com a sua armadura e as suas armas. Em plano de fundo vê-se o delicado baixo-relevo da Assunção da Virgem. Colunelos, baldaquinos e entablamentos são decorados com finos lavores relevados, bem assim como vários escudos brasonados de D. Luís da Silveira. Nas cantoneiras do arco abrem-se dois medalhões contendo os bustos de um homem e de uma mulher. Esta magnífica obra funerária da Renascença foi executada em 1531 pelo escultor francês João de Ruão.
O retábulo da capela-mor é aparatosa obra de talha dourada barroca - da transição do século XVII para o XVIII -, albergando importantes tábuas de pintura quinhentista alusivas aos martírios de S. Pedro e S. Paulo, à Assunção da Virgem e ainda à Adoração dos Magos.
Do seu núcleo de escultura são de destacar a estátua renascentista da padroeira, Santa Maria Maior, em madeira e colocada no altar-mor, bem assim como um Cristo crucificado guardado na sacristia, peça gótica em madeira do século XV. Do século seguinte é a pia batismal decorada com caneluras no bojo e ostentando as armas dos patronos da capela-mor.
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