Ilha Brava

Ilha de Cabo Verde, Brava é a mais pequena das ilhas habitadas do arquipélago, com apenas 64 km2 e um comprimento máximo de 9 km.
Fica situada no sotavento de Cabo Verde, a oeste da ilha do Fogo, tem cerca de 6800 habitantes (2000) e conta com apenas um concelho, Brava, cuja sede é Vila Nova Sintra, assim batizada devido às suas semelhanças com Sintra, em Portugal. A ilha inclui as freguesias de São João Batista e Nossa Senhora do Monte.
A localidade de Furna está dotada de um porto, que no passado era usado pelos baleeiros, que faz as ligações marítimas com o resto do arquipélago de Cabo Verde, nomeadamente com o Fogo e Santiago.
De características vulcânicas, é um território bastante montanhoso, com picos muito elevados e vales profundos, atingindo uma altura de 976 metros no Pico das Fontainhas. Há muitas escarpas na costa, recheada de baías.
Brava tem um clima muito húmido que possibilita a existência de imensas variedades de plantas, o que lhe valeu ser também conhecida por ilha das Flores. A temperatura média da ilha Brava oscila entre os 16 e os 25 graus centígrados.
A norte de Brava há duas ilhas desabitadas, chamadas de Ilhéu Grande e Ilhéu de Cima.
A ilha Brava foi descoberta em 1462 pelos portugueses e mais tarde tornou-se num entreposto de escravos. Depois de os primeiros habitantes, provenientes da Madeira e do Minho, essencialmente, se terem estabelecido por volta de 1540, a ilha começou a ser mais intensamente povoada por volta de 1620 pelos habitantes em fuga da ilha do Fogo, que fica a cerca de 20 quilómetros, assustados com as constantes erupções do vulcão local. Em 1680 houve uma grande erupção que originou uma deslocação maciça de pessoas do Fogo para a Brava.
Entre os séculos XVII e XIX a ilha foi bastante assediada por piratas, que se aproveitavam das inúmeras baías existentes.
Grandes e constantes períodos de seca levaram a que uma boa parte da população emigrasse, nomeadamente para os Estados Unidos da América em finais do século XVIII. Os baleeiros provenientes da América reabasteciam-se na ilha e acabavam por recrutar marinheiros cabo-verdianos que não mais regressavam.
As remessas de dinheiro dos emigrantes nos Estados Unidos da América acabaram por se tornar numa das maiores fontes de rendimento locais, juntamente com a agricultura e a pesca, atividades desenvolvidas desde o povoamento da ilha. No passado também foi importante para a economia local a extração da urzela.
A personalidade mais conhecida da ilha Brava é o músico Eugénio Tavares, que se dedicou à tradicional "morna", canta em português e crioulo.
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