Independência da Bélgica

Desde o período feudal que a história da Bélgica se confunde com a dos Países Baixos. Em 1477, o casamento de Maria de Borgonha com o arquiduque Maximiliano faz com que estes territórios, até aí pertença dos duques da Borgonha, sejam integrados nos domínios Habsburgos. As vicissitudes políticas do reinado de Filipe II levaram à revolta e posterior independência das sete províncias do Norte, designadas, a partir de então, pelo nome de Províncias Unidas (1579), futura Holanda. As províncias do Sul continuavam sob domínio espanhol.
Teatro de numerosas guerras no tempo de Luís XIV, a Bélgica será cedida à Áustria pelo Congresso de Rastatt de 1714, confirmado em Aachen (1748). Em 1789, José II, imperador da Áustria, proclama um novo estatuto para a Bélgica que, no fundo, tinha em vista a germanização do país. A reação não se fez esperar: os belgas revoltaram-se e proclamaram os Estados Belgas Unidos (1790). A partir de então, os Austríacos veem o território ser disputado pela França, que anexa o país em 1795, tornando-o um departamento francês (designado como "reino de Batávia"). Na sequência das guerras napoleónicas, os vencedores não aceitaram que a Bélgica continuasse na posse da França; nos tratados de Viena (1815), as potências interessadas em diminuir o poderio francês criam o reino dos Países Baixos, anexando a Bélgica à Holanda. Esta união, artificial, não foi bem aceite por uma nação que se assumia cada vez mais como detentora de uma vida nacional própria e que apresentava nítidas diferenças culturais, religiosas e linguísticas.
Aproveitando o período da Revolução Francesa, que assinalou a transição da Restauração para a Monarquia e contou com um grande envolvimento popular, os belgas separam-se da Holanda e proclamam a sua independência, constituindo-se como uma monarquia constitucional. Leopoldo I de Saxe Coburgo-Gotha será o seu primeiro monarca, que solicitou a intervenção militar da França para libertar a Bélgica do domínio holandês.
Leopoldo I jurou a Constituição em 21 de julho de 1831 e não encontrou grandes obstáculos à sua pretensão por parte das potências europeias, que viam com bons olhos o aparecimento deste novo Estado que funcionava como uma espécie de tampão entre duas grandes nações. Apenas a Holanda discordou; o novel reino teve de suportar os ataques dos vizinhos holandeses até 1839, altura em que o rei Guilherme da Holanda acabou por o reconhecer. A nível interno, os primeiros tempos também foram de alguma instabilidade devido às disputas entre católicos e liberais anti-clericais.
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