Indonésia

Geografia
País do Sudeste da Ásia. A República da Indonésia é constituída por um arquipélago com 13 677 ilhas (das quais 6000 não são habitadas), com uma área total de 1 919 440 km2. Situa-se entre o oceano Pacífico, o mar das Celebes, o mar de Sulu e o mar da China Merional, a norte, o oceano Índico, a sul e oeste, e o mar de Arafura e a Papua-Nova Guiné, a leste. A Indonésia é o maior arquipélago do Mundo e o quarto país em número de habitantes. As principais cidades são Jacarta, a capital, com 8 987 800 habitantes (2004), Surabaya (3 092 400 hab.) e Bandung (2 781 800 hab.).
As ilhas da Indonésia, que se estendem em forma de curva ao longo de 5000 km de oceano, são de origem vulcânica, constituindo uma extensão do continente asiático. Tem mais de 200 vulcões em atividade. O relevo das ilhas indonésias é montanhoso, sendo alvo de grande erosão causada pelas chuvas de monção que arrastam grande quantidade de sedimentos. Este facto contribui para o crescimento das planícies costeiras.
Clima
O clima, na generalidade do arquipélago, é equatorial e tropical húmido. A sua localização a baixa latitude, a insularidade e o regime de ventos originam um clima quente e húmido ao longo de todo o ano na maior parte das ilhas.

Economia
A economia indonésia assenta, essencialmente, nas atividades agrícola, mineira e industrial. O setor agrícola produz arroz, milho, mandioca, batata-doce, tabaco, chá e café. À semelhança da Índia, a agricultura registou problemas após os primeiros êxitos da Revolução Verde. Associada a este setor, está também a silvicultura, atividade que produz a borracha natural e madeiras exóticas. Por outro lado, a atividade mineira tem visto a sua importância aumentar de dia para dia, fomentada, principalmente, pelo aumento da exploração de petróleo e gás natural. No entanto, outros minérios são extraídos, como o níquel, a bauxite, o ouro e o cobre.
Quanto ao setor industrial, que desde os meados dos anos 80 caminha a passos largos para se tornar o principal setor indonésio, enquadra-se numa política de importação de matérias-primas para posterior transformação e exportação. Deste modo, destacam-se as indústrias ligadas aos produtos químicos, aos componentes eletrónicos, ao cimento, aos pneus, ao papel e aos têxteis. Em resumo, a economia deste país encontra-se em fase de desenvolvimento, beneficiando da sua posição privilegiada no seio de instituições internacionais como a ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático), a ESCAP (Comissão Económica e Social para a Ásia e o Pacífico) e a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Os principais parceiros comerciais da Indonésia são o Japão, os Estados Unidos da América, Singapura e a Alemanha.
Indicador ambiental: o valor das emissões de dióxido de carbono, per capita (toneladas métricas, 1999), é de 1,2.

População
A população está calculada em 245 452 739 habitantes (2006), estimando-se que, em 2025, seja de 301 milhões.
As taxas de natalidade e de mortalidade são, respetivamente, de 20,34%o e 6,25%o. A esperança média de vida é de 69,87 anos. O valor do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,682 e o valor do Índice de Desenvolvimento ajustado ao Género (IDG) é de 0,677 (2001).
Quanto à composição etnolinguística, os javaneses são o maior grupo com 39% da população, seguidos dos sondeses (16%), dos malaios (12%) e dos madureses (4%). Em termos de religião, 87% da população segue o islamismo, correspondendo o cristianismo a 10%, o hinduísmo a 2% e o budismo a 1%. Apesar de existirem perto de 250 línguas e dialetos utilizados pelos mais de 300 grupos étnicos, a língua oficial da Indonésia é o bahasa, que consiste numa evolução do dialeto malaio.

História
Encontram-se vestígios no arquipélago indonésio que indiciam a presença humana desde o período do Neolítico, embora o conhecimento preciso da História da Indonésia remonte ao princípio da Era Cristã, altura em que se iniciou o relacionamento comercial entre os diferentes reinos do arquipélago com a China e a Índia, relacionamento esse que abriu as portas às influências hinduístas e budistas. Quando, em 1511, os Portugueses chegaram às ilhas Molucas, encontraram uma região já influenciada pelo Islão desde o século XIII. Mas seria a Companhia Holandesa das Índias Orientais a conseguir estabelecer-se na região, sediando o seu domínio em Batávia (Jacarta). A colonização holandesa, que só se completou no final do século XVII, começou a ser posta em causa a partir de 1927, com a formação do Partido Nacionalista Indonésio, liderado por Sukarno. Esta personalidade assumiu-se, aliás, como o principal protagonista do processo de independência, declarada unilateralmente a 17 de agosto de 1945, após a rendição do Japão (que tinha invadido a Indonésia em 1942). A Holanda tentou, ainda, assegurar o controlo da colónia, mas a oposição indonésia, que incluiu confrontos armados, forçou os Holandeses a reconhecerem a independência da Indonésia sob o nome de Estados Unidos da Indonésia, nome que formalizava a união entre os dois estados, o que aconteceu em 1949. Esta união foi desfeita em 1954 como resultado do diferendo existente entre os dois países sobre a soberania na Nova Guiné Ocidental (então denominada Irian Barat, hoje conhecida por Irian Jaya), território que os Holandeses acabariam por entregar aos Indonésios em 1969, embora o processo se tenha iniciado em 1962.
Sukarno e o partido que o apoiava (PKI - Partido Comunista Indonésio) mantiveram-se no Poder até 30 de setembro de 1965, data em que ocorreu um golpe de Estado militar liderado pelo general Raden Suharto. Até à sua nomeação como presidente pela Assembleia Popular, em março de 1967, Suharto conduziu uma política de perseguição militar aos apoiantes de Sukarno e do PKI, resultando dessa política perto de 1 000 000 de vítimas.
A Indonésia viveu, então, sob a Nova Ordem de Suharto, com base num forte apoio das forças armadas que, como contrapartida, viam os seus quadros ser nomeados para importantes cargos políticos e administrativos.
A 7 de dezembro de 1975 a Indonésia invadiu Timor Leste. O território estava sob administração portuguesa, mas, devido ao processo de descolonização e ao estado de guerra civil que se havia instalado no território, as autoridades portuguesas abandonaram a ilha. Apesar da comunidade internacional ter condenado a invasão, a Indonésia anexou Timor Leste, que passou a 27.ª província.
Em 1994, após Suharto ter declarado a sua indisponibilidade para se recandidatar às eleições (realizadas de cinco em cinco anos) de 1998, instalou-se na Indonésia um período de certa instabilidade política e social. Esta declaração desencadeou uma onda de movimentações de bastidores por parte dos diferentes grupos dominantes (militares, tecnocratas e políticos apoiantes de Suharto e líderes religiosos islâmicos) de modo a fortalecerem as suas posições, permitindo ao mesmo tempo que sindicalistas, estudantes, movimentos clandestinos pró-democracia e a própria imprensa se tornassem mais arrojados nas suas reivindicações. Suharto abandonou a presidência em maio de 1998 e foi substituído pelo vice-presidente Habibie.
A 19 de outubro de 1999, o Parlamento da Indonésia tomou a decisão de anular o decreto onde constava a anexação de Timor Leste como a 27.ª província do país. A 20 de outubro foi eleito o novo presidente da Indonésia, o muçulmano Abdurrahman Wahid. Os problemas políticos, económicos e sociais que se vinham a agravar, levaram a que, em julho de 2001, Wahid fosse destituído do cargo, embora não tivesse reconhecido facilmente a sua derrota. Megawati Sukarnoputri, vice-presidente durante o mandato de Wahid, filha do primeiro presidente da Indonésia, tornou-se a nova líder do país até outubro de 2004, ano em que nas eleições presidenciais venceu Susilo Bambang Yudhoyono.
A 26 de dezembro desse mesmo ano, uma catástrofe natural abalou o país. Nesse dia, registou-se o maior terramoto dos últimos tempos (8,9 graus da escala de Richter) com epicentro ao largo da ilha indonésia de Samatra. Este sismo originou maremotos que assolaram a costa de vários países do sudeste asiático, como Sri Lanka (o mais afetado), seguido da própria Indonésia, Índia, Tailândia, Malásia, Maldivas e Bangladesh, tendo provocado milhares de mortos e de desalojados.
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