inteligência

Da mesma forma que existem diferentes modos de se ser inteligente, coexistem igualmente diferentes conceptualizações sobre a inteligência. Pela sua complexidade, é praticamente impossível tentar especificar e proporcionar uma definição que agrade à maioria dos psicólogos.
Há vinte anos, a inteligência era considerada uma capacidade inata e o QI (Quociente de Inteligência) uma característica mais ou menos estável num sujeito. Reconhece-se ainda que os fatores genéticos são importantes, mas também se tornou evidente que estes interagem com as influências do meio, classe social, etc.
Os estudos têm-se baseado mais nos testes psicométricos. Estes testes de inteligência refletem a posição de uma pessoa em relação aos seus pares, medindo um número de habilidades diferentes. Qualquer definição sobre a inteligência é uma intenção de clarificar e organizar este fenómeno tão complexo. Para uma maior compreensão do que se entende por inteligência, poder-se-ia defini-la como a capacidade do indivíduo em: assimilar conhecimentos concretos; recordar acontecimentos remotos ou recentes; raciocinar logicamente; manipular conceitos (números ou palavras); traduzir o abstrato em concreto; analisar e sintetizar formas; enfrentar com sensatez e precisão os problemas e estabelecer prioridades entre um conjunto de situações.
Alfred Binet introduziu o conceito de idade mental, que é o nível intelectual médio correspondente a uma determinada idade. O QI é o resultado da divisão da idade mental com idade cronológica, multiplicado por dez. Quando a idade cronológica e a mental coincidem, o QI é de 100, ou seja, igual à média.
Tal como é medido nos diferentes testes de inteligência, o QI é uma interpretação ou uma classificação de um resultado global de um teste em relação com as normas impostas de um determinado grupo tendo em conta a idade, nível socioeconómico e sexo.
O QI mede a sua capacidade funcional num determinado momento e não necessariamente o seu potencial futuro. Não é em si mesmo indicador da origem genética, do inato ou do ambiente das habilidades que reflete.
Os testes de inteligência mais úteis são aqueles que medem um variado número de destrezas e capacidades, incluindo as verbais e as práticas.
Outra teoria sobre a inteligência surge com Spearman com a sua Teoria dos Fatores, segundo a qual toda a atividade intelectual inclui tanto um fator geral, a que chamou inteligência geral, como um fator específico.
Assim, a diferença entre os sujeitos é atribuída em larga medida ao fator "g" (geral), fator este considerado inato. Para ele, todos os "ramos" da atividade intelectual têm em comum uma função intelectual (fator g), que permite que as pessoas se movam com a mesma habilidade em diferentes áreas.
Para Howard Gardner, pelo contrário, não existe uma inteligência global e totalizadora, mas sim múltiplas inteligências que coexistem entre si.
A sua teoria baseia-se em três princípios:
1. A inteligência não é uma só unidade, mas sim um conjunto de inteligências múltiplas, cada uma das quais com um sistema por direito próprio.
2. Cada inteligência é independente de todas as outras.
3. As inteligências interagem entre si, de outra forma não existiriam.
Gardner caracteriza a inteligência como uma capacidade ou um conjunto de capacidades que permitem que um indivíduo resolva problemas ou crie produtos que são de importância cultural particular.
Daniel Goleman, em 1995, propôs uma nova perspetiva sobre o conceito de inteligência: a inteligência emocional.
Esta é definida por várias capacidades, tais como a capacidade de automotivação e a persistência frente a deceções; controlar os impulsos e manter as gratificações; regular o humor e evitar que os problemas diminuam a capacidade de pensar; mostrar empatia e ter esperança. A aptidão emocional é uma meta-habilidade, e determina como podemos utilizar qualquer outro talento, incluindo o intelecto.
As pessoas emocionalmente despertas contam com vantagens em qualquer aspeto da vida, têm mais probabilidades de se sentirem satisfeitas e de serem eficazes, não deixando lugar a conflitos interiores.
A inteligência emocional seria a capacidade para:
- conhecer as próprias emoções (reconhecer um sentimento quando este ocorre);
- guiar as emoções (manejar sentimentos para que sejam adequados);
- controlar a própria motivação (ordenar emoções ao serviço de um objetivo);
- reconhecer emoções nos outros.
Para concluir, terá de se focar o termo de deficiência mental, já que esta é definida como uma capacidade intelectual inferior à média, o qual acompanha limitações significativas nas atividades adaptativas próprias à idade do sujeito. As habilidades que podem estar limitadas são: a comunicação, a higiene, a vida doméstica, habilidades sociais, autocontrolo, habilidades académicas e funcionais, trabalho, ócio, saúde e segurança.
As pessoas com atraso mental padecem de incapacidades adaptativas. As capacidades adaptativas referem-se à forma como o sujeito encara as experiências da vida quotidiana, e como cumprem as normas de autonomia pessoal segundo o esperado em relação à sua idade e nível sociocultural.
Na generalidade, os indivíduos com atraso mental são passivos e dependentes; enquanto outros são agressivos e impulsivos.

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