jiu-jitsu

O jiu-jitsu, arte marcial de auto-defesa, teve origem na Índia por volta de 2500 a. C., pela necessidade dos monges budistas, apesar de defensores da paz, se protegerem das agressões dos bárbaros mongóis. Assim, para se defenderem nas suas longas caminhadas pelo interior da Índia, descobriram uma forma de evitar a violência dos agressores, pois o jiu-jitsu é uma arte de defesa pessoal onde o uso do sistema de alavanca, o momento da força, o equilíbrio, o centro de gravidade e o estudo dos pontos vitais do corpo contrariam a força do inimigo. Trata-se uma arte suave que permite bater um adversário mais forte sem usar força bruta, nem sequer armas, para não contrariar os princípios do Budismo. A origem do jiu-jitsu pode ser encontrada na filosofia Wu-Wei e segundo a lenda foi descoberto após a observação da neve a cair nos ramos de árvores. Nos ramos mais fortes e rígidos, a neve acumula-se e acaba por parti-los e nos mais fracos e flexíveis ela amontoa-se, levando-os a dobrarem-se com o peso. Depois da neve cair, os ramos voltam à posição normal.
Esta arte, que se pratica em pé e no chão, ganhou projeção e começou a ser imitada, já em 250 a. C., quando o budismo deixou as fronteiras da Índia e se espalhou pela Ásia. Passou a ser a arma utilizada nos combates entre os bárbaros e os exércitos indianos, chineses e japoneses. No Japão passou mesmo a ser uma arma fundamental dos samurais, pois estes, quando desarmados, podiam vencer um oponente com armadura já que esta não o protegia contra este tipo de técnicas, que recorriam ao estrangulamento.
Acabou por ser do Japão, onde ainda chegou antes do nascimento de Cristo, que o jiu-jitsu passou para o Ocidente. Entretanto, os adoradores do Deus Brama, religião anterior ao Budismo, sentiram-se prejudicados em termos religiosos e por isso afastaram os monges budistas da Índia, daí que o jiu-jitsu não tenha conhecido grande expressão neste país. Enquanto se espalhava pela Ásia, o jiu-jitsu deu origem a 113 estilos e lutas oriundos das várias partes que o constituíam. Um dos seus descendentes foi o sumo, que nasceu há cerca de mil anos e é hoje muito popular no Japão.
O jiu-jitsu tornou-se na maior arte marcial nipónica, nomeadamente porque os japoneses eram homens pequenos e, assim, ganhavam força perante os ocidentais.
Já em 1869, vários portos japoneses abriram-se aos americanos e, dois anos depois, o imperador Meijí facilitou a entrada dos ocidentais no Japão, tendo os nipónicos começado a temer perder a vantagem que era o jiu-jitsu em termos de luta corpo a corpo. Os ocidentais queriam saber mais sobre esta arte marcial, mas o governo japonês não estava disposto a deixar escapar tal segredo e resolveu criar uma falso jiu-jitsu, apenas para uso externo e não tão eficaz como o verdadeiro. Assim, em 1880 um funcionário do governo criou o falso jiu-jitsu, tendo inaugurado uma escola dois anos depois. O novo estilo chamava-se kano e veio mais tarde a dar origem ao judo. Entretanto, foram recolhidos todos os livros sobre jiu-jitsu e os 113 estilos existentes viram o seu nome mudado para judo. Quem ensinasse jiu-jitsu aos estrangeiros era considerado criminoso.
O judo acabou por ser exportado para o Ocidente, já na qualidade de modalidade desportiva, enquanto o jiu-jitsu era praticado às escondidas pelos japoneses, que se sentiam prejudicados pelo judo nos treinos. Assim, introduziram nesta última modalidade, estritamente desportiva, um estilo de jiu-jitsu, o goshin-jitsu, que servisse de defesa pessoal. Entretanto, um outro estilo do jiu-jitsu, o karaté-jitsu, também foi transformado, no início do século XX, em desporto e dá origem ao karaté-do, hoje largamente difundido em todo o Mundo.
O jiu-jitsu, que respeita três posições, combate, momento de ataque e esquiva, está dividido em quedas, traumatismo, torções, estrangulamentos, pressões e imobilizações.
Como referenciar: jiu-jitsu in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-05-24 18:21:08]. Disponível na Internet: