Joan Crawford

Atriz norte-americana, de seu nome original Lucille Fay Le Sueur, nasceu a 23 de março de 1904, no Texas, e morreu a 10 de maio de 1977, em Nova Iorque, vítima de cancro no pâncreas. Iniciou a sua carreira produzindo um enorme impacto como personagem feminina no período áureo do Jazz, trabalhando como dançarina profissional de charleston em Chicago. Chegou à Broadway como corista, mas o seu talento foi descoberto por um produtor da MGM, que a convidou a fazer audições para cinema. Começou como dupla da atriz Norma Shearer no filme Lady of the Night (Ave Noturna, 1925), mas gradualmente passou a figurante e depois a atriz secundária. Entre 1925 e 1928, participou em cerca de duas dezenas e meia de filmes, quase sempre em aparições secundárias. A sua grande oportunidade surgiu em Our Dancing Daughters (Meninas da Moda, 1928), em que ficou com o papel originalmente destinado a Clara Bow e que esta declinara devido a outros compromissos profissionais. Após uma série de filmes musicais onde cantava e dançava, procurou assumir registos dramáticos: em Paid (Dentro do Ódio, 1931), desempenhou pela primeira vez o género de personagem que viria a caracterizá-la nos anos 30 e 40, o de mulher forte, obcecada pela vingança, destacando-se Chained (Os Dois Amores de Diana, 1934), Susan and God (As Teorias de Susana, 1940) e A Woman's Face (A Cicatriz do Mal, 1941). Quando Michael Curtiz resolveu adaptar a obra de James M. Cain, Mildred Pierce (Alma em Suplício, 1945), Crawford foi a primeira escolha, desempenhando uma dona de casa que se torna uma empresária de sucesso e que luta com a sua filha pelo amor do mesmo homem. O filme valeu-lhe o Óscar para Melhor Atriz e, dois anos depois, seria novamente nomeada pelo seu desempenho de esquizofrénica em Possessed (Loucura de Amor, 1947). Estranhamente, a atriz começou a ser desviada para produções de série B, o que a levou a rescindir o contrato com a Warner Bros e a produzir os próprios filmes. Num deles, Sudden Fear (Medo Súbito, 1952), arrecadou a sua terceira nomeação para o Óscar de Melhor Atriz pelo memorável papel de Myra Hudson, uma dramaturga que descobre que o seu novo marido (interpretado por Jack Palance) planeia assassiná-la. Mas a sua melhor interpretação de sempre foi no western melodramático de Nicholas Ray, Johnny Guitar (1954), onde foi Vienna, uma indomável dona de saloon. Neste filme, protagonizou uma das cenas mais memoráveis da História do cinema, nomeadamente, o duelo final feminino com Mercedes McCambridge. Após uma série de filmes menores, o realizador Robert Aldrich conseguiu fazer o impensável: juntá-la à sua grande rival Bette Davis no filme de terror What Ever Happenned to Baby Jane? (O Que Aconteceu a Baby Jane?, 1962). As atrizes, que não se falavam na vida real, conseguiram arrancar um portentoso duelo interpretativo que fez do filme um sucesso imprevisto. Até ao fim da sua carreira, Crawford participou em filmes de terror de baixo orçamento. O último foi We're Going To Scare You to Death (1975). Após a sua morte, a sua filha adotiva Christina publicou o best-seller Mommie Dearest, em que a acusava de ser uma mulher fria e malévola que a sujeitava a maus tratos, não olhando a quaisquer meios para ascender profissionalmente.
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