João Álvaro Rocha

Arquiteto português, João Álvaro Martins da Rocha nasceu a 10 de janeiro de 1959, em Viana do Castelo. Diplomado em Arquitetura pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto (ESBAP) em 1986. Realiza em 1980 um estágio de seis meses num gabinete de estudos e projetos de uma cooperativa de habitação em Estocolmo, onde toma contacto com uma realidade completamente diferente da nossa - estandardização e habitação de qualidade a custos controlados, o que terá repercussões nos seus projetos do Programa Especial de Realojamento (PER).
Leciona na Escola Superior Artística do Porto (ESAP) entre 1988-1989; é Professor Visitante em 1989 na École d'Architecture de Clermont-Ferrand, França. No período 1990-2001 é docente de Projeto na FAUP (Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto). Em 1998 é Teacher Collaborator na Escola Superior de Arquitetura da Universidade Internacional da Catalunha, Barcelona; entre 1998-1999 é professor convidado na Escola Técnica Superior de Arquitetura da Universidade de Navarra, Pamplona; em 2000 é-o no Departamento de Arquitetura da Universidade de Cornell, Ítaca, Estados Unidos. Participa como docente convidado em seminários internacionais no Porto, Granada e Pontevedra (no período 1997-2000).
É membro de júris de concursos e prémios de arquitetura entre 1995-2001. De 1984 a 2001 participa em exposições a nível ibérico, bem como em Copenhaga, Milão, Frankfurt e Ferrara. Participa em conferências e colóquios entre 1986-2001 em Veneza, Nápoles e Ferrara, além de várias cidades ibéricas. Tem obras e projetos publicados em diversos livros e revistas da especialidade, quer da Península Ibérica, quer de Paris, Veneza, Milão, Londres e Zurique.
Recebe diversos prémios, entre os quais: em 1986, o Prémio Gulbenkian de Arquitetura/Design (com os arquitetos Jorge Gigante, Francisco Melo e José Gigante); em 1987, recebe o Prémio Nacional de Arquitetura AAP/SEC (Associação dos Arquitetos Portugueses/Secretaria de Estado da Cultura). Em 1993 é-lhe atribuído o Prémio Nacional de Arquitetura - Primeiras Obras, pela AAP. Recebe ainda, com o arquiteto José Gigante, os seguintes prémios: Prémio Architécti/Centro Cultural de Belém 1994; Prémio INH 1997 (Instituto Nacional de Habitação); e o Prémio Europeu de Arquitetura AIA - Europe - Internacional Design Award 2001 (American Institute of Architects).
De entre várias menções honrosas e nomeações, entre 1993-2000, destaque para, juntamente com José Gigante, a nomeação como finalista do Prémio Iberfad / Alejandro de la Sota em 1996, e do Prémio Europeu de Arquitetura Mies Van der Rohe, em 1999.
Inicia a atividade profissional em 1982. Entre 1983-1990 colabora no gabinete dos arquitetos Jorge Gigante e Francisco Figueiredo Melo, sendo responsável por inúmeros projetos e obras. Com José Gigante realiza no período 1990-1994 trabalhos de coautoria. Em 1996, cria o gabinete João Álvaro Rocha - Arquitetos.
Entre 1988-2002 participa em diversos concursos, destacando-se os concursos para a elaboração dos projetos das novas instalações do Laboratório Nacional de Investigação Veterinária (LNIV), em 1990, Vairão, Vila do Conde, e da nova delegação do Instituto de Comunicações de Portugal (ICP), em 1992, Ramalde, Porto (em coautoria com os arquitetos Jorge Gigante, Francisco Melo e José Gigante); em 1994, o concurso para a elaboração do projeto do edifício cultural no recinto do Palácio de Cristal, Porto (em coautoria com o arquiteto Francisco Portugal e Gomes); nesse mesmo ano, o concurso para a elaboração do projeto das residências universitárias do Polo Universitário do Alto da Ajuda, Lisboa; em 1997, o concurso para a elaboração do projeto do Parque de Lazer de Moutidos, Maia; e o concurso de anteprojeto para a construção de um conjunto arquitetónico dedicado aos Sanfermines, Pamplona, 2001.
Entre 1982-2002 realiza mais de um centena de obras e projetos, de entre os quais se destacam: residência de religiosas, Sameiro, Braga (1982-1985); ampliação da Central Telefónica da Maia (1984-1986); Capela Fúnebre, Taipas, Guimarães (1987-1989); Casa em Mesão Frio, Penafiel (1987-1991); casas no Lugar da Várzea, Vermoim, Maia, I e II (1988-1993), III (1997- ); conjunto habitacional e equipamentos, Gondifelos, Famalicão (1989-1997); os já referidos LNIV e ICP (1991-1998) e (1993-1995), respetivamente. A partir deste período a sua vasta produção arquitetónica poder-se-á agrupar de modo temático, pelas afinidades de programa e escala e pela postura que adota perante cada uma delas. Na arquitetura doméstica projeta a Casa em Carreço, Viana do Castelo (1994-1997); duas casas na Rua João de Barros, Porto (1997- ); Casa do pintor Fernando Brito, Santarém (1998- ); e casa na Toscana, Montenero, Itália (2001). Realiza diversos edifícios de habitação coletiva, desde alto custo, a custos controlados, com particular destaque para o conjunto das obras integradas no programa PER, tais como os PER em Matosinhos e na Senhora da Hora, ambos 1995; nove conjuntos habitacionais PER / Maia, em diversos pontos do concelho, num total de cerca de 340 fogos (apartamentos); 70 habitações unifamiliares em banda e oito casas-pátio, na Quinta da Barca, Esposende (1995-2002); bem como pelo menos mais quatro estudos urbanísticos / loteamentos. De entre os edifícios de serviços e escritórios, destaque para o Centro de Apoio ao Empresário (CAE), Maia, e edifício de armazenagem Sogenave. No âmbito dos equipamentos, realiza o Parque de Lazer de Moutidos, Maia (1997-2001); a intervenção no Palacete da Quinta da Gruta e áreas envolventes, Castêlo da Maia, que inclui um auditório, parque e áreas ajardinadas, bem como uma escola de Educação Ambiental; o Parque Urbano de Quires, Maia (2001- ); e três estações do Metro do Porto, Maia.
As três casas na Várzea demonstram bem as suas influências e a sua trajetória: das influências de Le Corbusier, Mies, Siza, Souto Moura, entre outros arquitetos, e de uma utilização gráfica do desenho, para uma fase de maior maturidade, em que os modelos se encontram mais diluídos, em que o desenho é por excelência objeto operativo, de análise e de síntese.
Ora recorrendo a uma certa plasticidade volumétrica, que tanto pode ser a do volume puro como a do jogo de planos, ora tirando partido da expressividade dos materiais e respetivas texturas, demonstra uma mestria tecnológica num país que se situa no impasse entre a manufatura e a estandardização. De relembrar aqui a sua formação no atelier Jorge Gigante / Francisco Melo.
De destacar a eficácia e controlo da obra arquitetónica a todos os níveis, desde a elaboração conceptual do projeto à sua concretização. É importante realçar o seu entendimento do arquiteto como aquele que concebe e aquele que coordena vários saberes e especialidades, antecipando até as questões técnicas e incorporando-as no processo de conceção. O rigor, sobretudo lógico-mental e dedutivo, expressa-se sobretudo em termos de processo, no modo como a ideia de projeto adquire uma maturidade tal que, a partir desse momento, ela autorregula o desenvolvimento subsequente, encerrando em si mesma a resposta às questões formuladas pelo projeto. Este domínio é atingido articulando conceito, forma, material, regra e medida tectónicas. Quanto maior for a simplicidade e clareza do projeto e quanto menor o número de meios para o significar, mais eficaz ele é.

Como referenciar: João Álvaro Rocha in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-03-30 11:54:25]. Disponível na Internet: