João de Melo

Poeta, ficcionista e investigador literário, formado em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa, professor no ensino secundário. Colaborou em A Memória da Água-Viva, Aresta, África, Colóquio/Letras, Vértice. Preparou uma Antologia Panorâmica do Conto Açoriano, dos séculos XIX e XX, em 1978, e uma antologia literária da guerra colonial, Os Anos da Guerra: 1961-1975 (Lisboa, 1988). No domínio do ensaio, debruçou-se sobre a produção literária açoriana contemporânea, procurando as suas coordenadas de literatura insular. Refletindo em A Memória de Ver Matar e Morrer e Autópsia de um Mar em Ruínas a experiência pessoal na guerra colonial, entre 1971 e 1974, a sua ficção remete para a reflexão sobre a experiência insular, no âmbito da reescrita de uma história genesíaca e civilizacional universal para a qual concorrem vários registos de discurso. As diretivas literárias que apõe a cada volume da coleção "O Chão da Palavra", que dirigiu na editorial Veja, entre os anos 70 e 80 e que contribuiu para a divulgação de autores como António Lobo Antunes ou Maria Ondina Braga, podem, até certo ponto, aplicar-se às suas premissas como ficcionista: aí, depois de definir a palavra literária como comunicação oposta ao "registo fácil da vida" e assumindo no corpo do texto "a fisiologia das suas próprias referências", aponta, como perspetivas fundamentais do texto literário, "superar o adormecido mundo das trevas, encontrar caminho na libertação do Homem através da cultura, subir a pulso a corda firme da produção da ideia e da ideologia no progresso; contribuir para que o nosso Povo vire em cada página a sua própria página de identificação e de certeza; dignificar uma aposta, hoje tão dispersa, no rumo certo da palavra e da vida. // No grande seio materno da Língua Portuguesa".
Como referenciar: João de Melo in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-12 20:54:03]. Disponível na Internet: