José Gigante

Arquiteto português, José Manuel Gigante nasceu a 19 de março de 1952, no Porto. Concluiu o curso de Arquitetura pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto (ESBAP) em 1981, iniciando de imediato a atividade docente, primeiro na ESBAP e a partir de 1984 na FAUP (Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto), até 1998, na disciplina de Ciências da Construção. A partir de 1992 lecionou no Departamento de Arquitetura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC). É professor visitante em escolas francesas: na École d'Architecture de Clermont-Ferrand em 1989 e na École d'Architecture de Nancy em 1991; em 1999, e com o mesmo estatuto, lecionou na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Palermo / Buenos Aires (Argentina).
Assumiu uma postura pedagógica de incentivo à formação e informação crítica do aluno através do entendimento das pretensões/ideia(s) de cada um, balizando-as em termos de referências e modelos. Este processo auxilia a sua própria objetividade na prática profissional, tanto mais que a sua formação académica decorre num período conturbado, quer em termos políticos, quer de orientação no interior da própria escola (ESBAP), altura em que se discute o desenho como instrumento operativo de projeto.
Participa em workshops nacionais e internacionais como monitor, em Lisboa e Coimbra, 1994 e 1996, respetivamente. Em 1994 e 2001 é membro de júri de concursos de arquitetura. A partir de 2000 é membro da Comissão Científica do Departamento de Arquitetura da FCTUC. Realizou conferências e participou em diversas exposições de arquitetura, quer nacionais quer internacionais (Alemanha, Argentina, Dinamarca, Espanha, França, Grécia, Itália e Suíça). Tem diversos projetos e obras publicados em revistas e livros da especialidade, quer em Portugal, quer no estrangeiro.
Profissionalmente, em 1975-1976, integra como elemento responsável a equipa do SAAL (Serviço Ambulatório de Apoio Local) para o estudo da renovação urbana da zona da Sé, Porto. Entre 1978-1989 colabora no gabinete dos arquitetos Jorge Gigante e Francisco Figueiredo Melo, sendo responsável por inúmeros projetos e obras. Com o arquiteto João Álvaro Rocha realiza no período 1990-1994 trabalhos em coautoria. Simultaneamente, e a partir de 1990, exerce de modo individual a atividade de arquiteto.
Recebe inúmeros prémios, menções e nomeações, nacionais e internacionais, dos quais se destacam: em 1986, o Prémio Gulbenkian de Arquitetura/Design (com os arquitetos Jorge Gigante, Francisco Melo e João Rocha); em 1987, recebe o Prémio Nacional de Arquitetura AAP/SEC (Associação dos Arquitetos Portugueses/Secretaria de Estado da Cultura). Com o arquiteto João Rocha recebe ainda os seguintes prémios: Prémio Architécti/Centro Cultural de Belém 1994; Prémio INH 1997 (Instituto Nacional de Habitação); finalistas do Prémio Europeu de Arquitetura Mies van der Rohe em 1999; e o Prémio Europeu de Arquitetura AIA - Europe - Internacional Design Award 2001 (American Institute of Architects).
Participa em diversos concursos no período 1988-2001, destacando-se: o 1.° lugar nos concursos para a elaboração dos projetos das novas instalações do Laboratório Nacional de Investigação Veterinária (LNIV), em 1990, Vairão, Vila do Conde, e da nova delegação do Instituto de Comunicações de Portugal (ICP), em 1992, Ramalde, Porto (em coautoria com os arquitetos Jorge Gigante, Francisco Melo e João Rocha); e, novamente o 1.° lugar, em 1995, no concurso para a execução de um conjunto de habitações sociais nas Eirinhas, Porto, integrado no Programa Especial de Realojamento (PER). Participa também na consulta para apresentação de ideias - Área Leste B, promovida pela sociedade Porto 2001.
De entre os seus projetos e obras, destacam-se: em 1974, os balneários e lavadouros na Sé, Porto; em 1978, o edifício de habitação coletiva do FFH (Fundo de Fomento da Habitação), Lamego, 2.a fase; edifício do Banco Borges & Irmão, Braga, 1983; as ampliações das centrais automáticas dos TLP (Telefones de Lisboa e Porto), em Vila Nova de Gaia, 1980, e da Boavista, Porto, 1985; Teatro de Belomonte, Porto (1991). Em coautoria com João Rocha, o conjunto habitacional e equipamentos, Gondifelos, Famalicão, em 1989, e os já referidos LNIV e ICP em 1991 e 1993, respetivamente. Ainda as casas Ramos, Gondomar, 1995; Clementina Loureiro, Matosinhos, 1996; e Dr. Jaime Lopes, Caminha, 1998; bem como o já referido PER nas Eirinhas, Porto, e o Teatro de Marionetas do Porto (novas instalações) (2001- ).
Com uma obra que no seu conjunto se afigura muito heterogénea, ou eclética, os modelos modernos ou neomodernos não são propriamente evidentes, dado que não há vontade de referências explícitas, muito pelo contrário, sendo digeridas através de uma lógica conceptivo-construtiva clara e rigorosa. O fio condutor de toda a sua obra não é portanto a imagem, mas antes o rigor conceptual e a seriedade construtiva, que englobam uma estratégia recorrente na abordagem do programa (funções de cada edifício) e do lugar. O lugar é determinante para a definição dos volumes, mas dentro de uma certa abstração; a identidade da forma naquilo que contém da ideia de cada projeto marca o lugar (isto distancia-o do entendimento de lugar de outros arquitetos e consequentemente da dita Escola do Porto). A sua postura é muito mais ética do que ostensiva.
Ideia, espaço, estrutura e forma são noções basilares na sua arquitetura, onde a relação entre construção e forma é clara: em arquitetura, a construção em si não existe, mas sim o modo de construir a forma; o detalhe pelo detalhe não importa, porque o detalhe por si só nada significa.
Cada projeto tem toda uma lógica intrínseca, que não surge à partida, mas que é necessário procurar, elaborar e estabilizar; pelo menos a priori, não é formulada nenhuma teoria mas, quando o projeto começa a ser controlado e encerrado, ela emerge paulatinamente.

Como referenciar: José Gigante in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-01-18 20:29:56]. Disponível na Internet: