José Lúcio Travassos Valdez, conde do Bonfim

Militar e político oitocentista, nasceu em 1787, no seio de uma família tradicionalista, muito dedicada à burocracia e ao comércio, e faleceu em 1862. O seu pai era escrivão da Mesa da Consciência e Ordens e cavaleiro de Cristo.
Travassos Valdez estudava em Coimbra para a carreira eclesiástica quando se deu a primeira invasão francesa. Nessa altura, alistou-se no Batalhão Académico de Coimbra. Iniciava, desta forma, a sua carreira militar, a partir da qual se desenvolveu toda a sua atividade pública posterior. Teve atuação meritória ao longo da Guerra Peninsular, entrando em vários confrontos e sendo ajudante de campo do duque de Wellington. Com a Revolução de 1820, Travassos Valdez foi elevado a coronel. Nessa qualidade, lutou contra as tentativas absolutistas do conde de Amarante e do visconde de Montalegre. Foi depois nomeado governador da Madeira.
Com a proclamação do absolutismo em 1828, Valdez veio a partir para o exílio na Inglaterra, regressando depois à Ilha Terceira integrado no exército liberal. Participou em diversos combates, sendo ferido no Bonfim (circunstância a que o seu título viria a fazer referência). Com a vitória dos liberais foi elevado a barão, em 1835, e em 1838 tornou-se ministro da Guerra e conde.
Durante a ditadura dos Cabrais, destacou-se como seu opositor. Tomou parte na Patuleia e esteve envolvido na Revolta dos Marechais, que não teve êxito. Em consequência disso, foi deportado para Angola, de onde só regressou após a assinatura da Convenção de Gramido, que veio pacificar o País.
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